
Histórias de assalto pontuam várias conversas e revelam uma rotina de violência nas cidades do páis.Num encontro interestadual,ouvi episódios que beiram o surreal e que mais parecem contos de uma mente criativa. A perseguição da presa por bandidos fez de um amigo vítima. Chegando a Guarulhos de uma viagem ao nordeste ele trazia na bagagem notebook, cãmera fotográfica e um enorme acervo de pesquisa para um documentário armazenado nos equipamentos. A caminho de casa, o motorista do táxi descreveu minuciosamente a rotina das abordagens feitas pelos bandidos. A localização no trânsito de táxis com a logo das cooperativas que atendem o aeroporto internacional, o acompanhamento do trajeto e a abordagem na chegada ao destino. Pouco depois, meu amigo viveu o roteiro descrito na porta de seu prédio. Perdeu tudo: equipamentos,bagagem,roupas, dinheiro. Quando tentou negociar a entrega do material de pesquisa foi ameaçado com um revolver. Perdeu, como dizem os cariocas.
Em Brasília, no estacionamento onde esperava a chegada da excursão em que um irmão era passageiro, outro amigo foi abordado.Com a tranquilidade de um descapitalizado,nem pensou duas vezes.Saiu do carro com as chaves nas mãos e disse ao bandido para abastecer antes da fuga, que o carro tinha problemas mecânicos e que a ação dele era uma benção - o seguro a ser pago era maior que o valor do veículo. Olhou no bolso do assaltante, viu um maço de cigarros e emendou que não tinha um tostão nem para fumar. O ladrão desistiu do automóvel micado, gentilmente ofereceu um cigarro, que fumou com o rapaz. Foi-se embora, não sem antes oferecer seus préstimos e amizade, assegurando que podia ser encontrado ali todas as noites.
O caso mais pitoresco foi o do sequestro de um celular também em Brasília. No dia do fechamento de uma publicação, com todos os números de contatos arquivados na memória do aparelho, o usuário deu por falta dele. Telefonou para seu número e ouviu uma absurda proposta de pagamento de resgate. Topou. Desesperado saiu para encontrar o ladrão. Ele estava a bordo de um ônibus,era fim de tarde e o tradicional caos no trâsito tinha se estabelecido. Tentando identificar o coletivo do meliante foi levado por um amigo numa perseguição de filme policial pelas ruas da cidade. Meia hora depois localizou o ônibus: o ladrão estava com uma camiseta na janela. No ponto seguinte, o ônibus parou. Estava lotado. A vítima subiu, ficou cara a cara com o ladrão que recebeu o dinheiro, entregou o aparelho e foi aplaudido pelos outros passageiros que pensaram ser aquela uma boa ação e não uma extorsão mediante sequestro de celular.
Nenhum comentário:
Postar um comentário