A música de Dorival Caymmi me veio a cabeça quando coloquei os pés na Praia do Forte. Estive lá há alguns anos e a vila me pareceu a mais perfeita tradução do paraíso. Ruas tranquilas de terra batida , pousadas charmosas, artesanato local a preços módicos e acesso a praias paradisíacas com piscinas naturais.
A Praia do Forte não é mais a mesma . O mar continua com uma cor caribenha, mas os condomínios de luxo fecharam o acesso a um bom pedaço da beira mar. Há seguranças com rádio para impedir a aproximação por carro de qualquer incauto que ouse invadir a privacidade de ruas com mansões para alugar - que na baixa temporada parecem cenário de uma cidade fantasma. A praia é de todos , mas a intolerância dos endinheirados especuladores imobiliários impede que se chegue à ela. A não ser que se queira caminhar pela praia, o que é difícil quando a maré sobe, ou se embrenhar pelo labirinto de ruas traçadas para excluir nativos e turistas. Um desconforto imposto às crianças e às pessoas com dificuldade de locomoção sem o menor pudor.
O artesanato local está em barraquinhas perto da igreja, onde é possível encontrar colares de coco e sementes da região com design interessante.Cristina, que chegou há 15 anos em Arembepe, leva para as areias uma coleção de colares e pulseiras feitos em cobre, que lembram desenhos de jóias estruscas. Mas estes artistas perderam lugar para grifes e lojas de shopping que ocupam a rua principal. Estranho. Quem viaja busca descobrir a cultura e as tradições locais e aos poucos a Praia do Forte enfraquece as raízes, perde a identidade.
Há núcleos de resistência, como o restaurante Casa de Nati. Ali se come iguarias com o tempero nativo e se priva da gostosa conversa da dona do estabelecimento. Maria Natividade nasceu na região e faz uma muqueca e uma casquinha de siri como ninguém. Ri da ansiedade dos forasteiros , daqueles que torcem o nariz para a simplicidade do ambiente e perdem a chance de conhecer sua saborosa hospitalidade.
Quem conhece Nati sai dali com saudades da Bahia.
Casa da Nati - Av. ACM, s/nº Tel.: 676-1239. Frutos do Mar
terça-feira, 17 de abril de 2007
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