quinta-feira, 28 de junho de 2007

Gaza e Ibiza



Viagem de ônibus mais rápida que a de avião, só no Brasil. Relaxei. Na rodoviária de São Paulo, tudo muito rápido. Chegar, comprar a passagem e embarcar levou menos de 20 minutos. No ônibus, serviço de bordo, travesseiro, cobertor e filme para distrair. De dar inveja aos passageiros reféns do caos aéreo. E a sensação é muito semelhante a de estar voando: na terra como no ar, o espaço dos passageiros desafia a lei da física de que dois corpos não ocupam o mesmo espaço.
Percurso tranquilo, por do sol na estrada e a chegada no Rio de Janeiro à noite. Na Avenida Brasil, a visão do desleixo urbano na Cidade Maravilhosa. Vias sem iluminação compunham o cenário sinistro de abandono. Silhuetas se esgueirando apressadas nas calçadas escuras entre prédios pixados, lojas fechadas e barracos. O retrato do descaso e da inoperância do poder público, da miséria a que parte da população está entregue. Foi quando o ônibus parou.
Estavamos perto de Vigário Geral. O pneu furado obrigou o motorista a parar no meio da avenida. Ele não tinha rádio, celular ou qualquer meio de comunicação para pedir ajuda. Os passageiros estavam de pé, olhando de um lado para o outro nas janelas, como soldados de prontidão. O nervosismo, estampado no rosto de cada um, revelava o temor de ser um alvo fácil numa área perigosa. Onde ônibus é incendiado com passageiros dentro, carros são tomados de assalto em arrastões e tiroteios são frequentes. Estávamos na Faixa de Gaza carioca.
Ficamos assim até que o serviço de trânsito interditou as pistas para que o motorista pudesse cruzar algumas faixas e parar num posto de gasolina. Em minutos estavam todos com as malas nas mãos prontos para a fuga. Parecíamos náufragos na beira da praia esperando resgate. Ele não veio. Grupos se organizaram para pegar os táxis que estavam abastecendo. Peguei carona com um casal e ouvimos do motorista mais histórias escabrosas sobre a rotina do lugar. Foi sorte, disse ele. Se parássemos um pouco antes certamente teríamos sido depenados.
Chegando na rodoviária o último alerta: cuidado com os táxis piratas. Sem o menor controle eles pegam passageiros, cobram tarifas mais caras, inventam percursos. Não há fiscalização.Ainda bem que um amigo me aguardava. Saltei e, enquanto procurava por ele, notei que a decadência da cidade estava também ali. Esta porta de entrada de turistas estava suja e caindo aos pedaços. Contei rapidamente minha desventura e ouvi um tranquilizante "calma, deixa passar o túnel que chegamos à Cidade Maravilhosa". Esta cidade idealizada e cantada em verso e prosa está cada vez mais restrita à pequena área entre os morros e as praias da zona sul. Gaza e Ibiza separadas por um túnel.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Uma ponte para a alma

"Atravessando a Ponte: O Som de Istambul" é um documentário que faz da musicalidade um guia para desvendar questões étnicas e sociais da Turquia.Logo no início, uma citação de Confúcio fala da intenção do filme : a música revela um povo. E em 90 minutos, o diretor alemão Faith Akin passeia pela cidade para desvendar diversas facetas de Istambul. Mais do que uma viagem auditiva, o filme revela o caldeirão cultural da Turquia.

A câmera percorre cenários surpreendentes. Sai as ruas de uma aldeia para revelar a dançante tradição do casamento dos descendentes de romenos. No por do sol, navega até o estreito de Dardanelos com um grupo tocando a bordo. Mostra a melancolia dos curdos, até 1990 impedidos por lei de falar sua própria língua em território turco, reprensentados por uma cantora que solta a voz na acústica perfeita de uma casa de banhos secular.

Somos levados ao "underground", onde proliferam grupos de rock e rap,músicas de origem norte-americana que se revestem de originalidade na performance de cantores locais.A tradição muçulmana é representada pela delicadeza dos movimentos do giro sulfi e contrasta com a agilidade um ballet de "street dance" dos nativos que incorporam as novidades à rotina de Istambul.

Ciganos nativos sobem ao palco para tocar a alma com um som sensorial e eletrônico. Instrumentos ancestrais revelam acordes muito peculiares e um povo aberto aos mais diversos tipos de influências e combinações. Uma espécie de antropofagia para a criação de partituras que misturam tendências e estilos, do ocidente e do oriente.Uma ponte contruída com música para unir o que a geografia e a intolerância teimam em separar em dois mundos.
Clique no título para ver um pouco da Turquia...

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Automóvel, atropelamento e curva


O Zé atravessava a rua na zona sul do Rio de Janeiro quando foi atropelado. Deitado no asfalto, cercado por curiosos e solidários, ficou a esperar por socorro. Demorou.Quando ele já achava que o melhor mesmo era ir andando até o hospital, a ambulância chegou e de dentro dela saiu uma daquelas mulheres de seriado americano: cabelos sedosos ao vento, corpo escultural. Agora vai, pensou o Zé, serei super bem atendido.Ilusão.

Imobilizado,foi tranferido para a maca com aquela pescoceira que protege a coluna e, com todo cuidado, colocado no carro do Resgate. Mal começaram a andar e a maca fez o primeiro movimento brusco,depois escorregava de um lado para outro a cada manobra. Estava solta. A sensação era a de estar preso e deitado num skate gigante e desgovernado. O Zé bem que tentou gritar, fazer ruídos, emitir qualquer sinal que denunciasse o descuido.Em vão, a sirene ligada frustrava qualquer tentativa.Foi deslisando para lá e para cá, batendo nas paredes do carro no ritmo alucinado empreendido pelos motoristas de urgências quando seguem na direção do hospital. Supresa. Quando a corrida maluca terminou no Pronto-socorro estava numa posição tão improvável que deixou os atendentes de queixo caído.Sentia mais dores do que as provocadas pelo atropelamento.

Teve algumas fraturas diagnosticadas, foi engessado.Um trauma na cabeça exigiu que ficasse em observação a noite toda. Frustração. Não havia leitos no hospital. Só havia um lugar: a sala de sutura. Passou a noite vendo cortes, a confecção de pontos para unir as carnes, ouvindo gritos e lamúrias, aspirando os vapores dos medicamentos. Horror. Pela manhã chegou a família. O irmão saiu procurando médicos para conseguir a alta do Zé. Ninguém tinha tempo para liberar o doente confinado ao camarote das costuras. Já passava do meio dia e ele não tinha tomado nem café da manhã.Resolveu se salvar. Trajava aquele uniforme hospitalar, aberto nas costas e amarrado com um lacinho que deixava a mostra o "postérieur" . Não teve dúvida. Levantou-se, pegou os dois envelopes com radiografias que estavam ao seu lado. Colocou um na frente e outro atrás, qual tapa sexo. Olhando para os lados com medo de ser flagrado em sua fuga, saiu com a rapidez que os ferimentos permitiam. Cruzou corredores, passou pela portaria e finalmente chegou ao carro do irmão no estacionamento.Estava a salvo!
E o incrível desta história é que ela realmente aconteceu e pode se repetir com qualquer um no descalabro dos hospitais públicos.

sábado, 9 de junho de 2007

Mãos ao alto!


Histórias de assalto pontuam várias conversas e revelam uma rotina de violência nas cidades do páis.Num encontro interestadual,ouvi episódios que beiram o surreal e que mais parecem contos de uma mente criativa. A perseguição da presa por bandidos fez de um amigo vítima. Chegando a Guarulhos de uma viagem ao nordeste ele trazia na bagagem notebook, cãmera fotográfica e um enorme acervo de pesquisa para um documentário armazenado nos equipamentos. A caminho de casa, o motorista do táxi descreveu minuciosamente a rotina das abordagens feitas pelos bandidos. A localização no trânsito de táxis com a logo das cooperativas que atendem o aeroporto internacional, o acompanhamento do trajeto e a abordagem na chegada ao destino. Pouco depois, meu amigo viveu o roteiro descrito na porta de seu prédio. Perdeu tudo: equipamentos,bagagem,roupas, dinheiro. Quando tentou negociar a entrega do material de pesquisa foi ameaçado com um revolver. Perdeu, como dizem os cariocas.

Em Brasília, no estacionamento onde esperava a chegada da excursão em que um irmão era passageiro, outro amigo foi abordado.Com a tranquilidade de um descapitalizado,nem pensou duas vezes.Saiu do carro com as chaves nas mãos e disse ao bandido para abastecer antes da fuga, que o carro tinha problemas mecânicos e que a ação dele era uma benção - o seguro a ser pago era maior que o valor do veículo. Olhou no bolso do assaltante, viu um maço de cigarros e emendou que não tinha um tostão nem para fumar. O ladrão desistiu do automóvel micado, gentilmente ofereceu um cigarro, que fumou com o rapaz. Foi-se embora, não sem antes oferecer seus préstimos e amizade, assegurando que podia ser encontrado ali todas as noites.

O caso mais pitoresco foi o do sequestro de um celular também em Brasília. No dia do fechamento de uma publicação, com todos os números de contatos arquivados na memória do aparelho, o usuário deu por falta dele. Telefonou para seu número e ouviu uma absurda proposta de pagamento de resgate. Topou. Desesperado saiu para encontrar o ladrão. Ele estava a bordo de um ônibus,era fim de tarde e o tradicional caos no trâsito tinha se estabelecido. Tentando identificar o coletivo do meliante foi levado por um amigo numa perseguição de filme policial pelas ruas da cidade. Meia hora depois localizou o ônibus: o ladrão estava com uma camiseta na janela. No ponto seguinte, o ônibus parou. Estava lotado. A vítima subiu, ficou cara a cara com o ladrão que recebeu o dinheiro, entregou o aparelho e foi aplaudido pelos outros passageiros que pensaram ser aquela uma boa ação e não uma extorsão mediante sequestro de celular.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Relâmpago


Foi coisa de segundos.Meu amigo ouviu um carro familiar,foi à janela e disse que a mulher estava chegando. E na sequência falou nervoso: "Tem alguma coisa errada, minha mulher foi sequestrada". Viu a mulher parar o carro, ser abordada e arrancar novamente. Ela estava grávida e a novidade seria celebrada naquela noite. Achei precipitada a conclusão, disse que podia não ser bem aquilo, ela poderia ter ido comprar algo que esquecera, ter visto um amigo... Cinco minutos depois ele seguiu a intuição e ligou para a polícia. Estava certo.

Dentro do carro os assaltantes peguntaram quem era o homem na janela. "Meu marido", respondeu ela. Os bandidos analisaram a situação e decidiram abandonar logo o carro. Foi quando ela ouviu outra voz feminina. Em seu cárcere móvel, trafegando pelas ruas de São Paulo, havia outra vítima de sequestro relâmpago- e a ponto de ter um troço. Minha amiga disse que estava grávida e aos gritos os homens disseram que as duas mantivessem a cabeça baixa.

Em casa, vivi a agonia de meu amigo. Bastaram alguns minutos para uma devastação emocional. Recém-casado, esperando o primeiro filho, o casal começava a vida com difculdade. "Não vou aguentar, não vou aguentar se algo acontecer" ele repetia dando voltas na casa, até que a polícia e os parentes chegaram.

Os ladrões trocaram de carro, sacaram dinheiro no caixa eletrônico e afirmando que também eram " de família , dona", abandoram as duas mulheres numa farmácia. Minha amiga ligou para casa para tranquilizar o marido e pegou um táxi imediatamente. No caminho repassava as cenas que tinha vivido, segurava o ventre com as duas mãos. Tinha ficado incrivelmente calma. Até aquele momento.

Ao chegar em casa foi ter com os policiais, que começaram a descrever os possíveis bandidos - acertaram todos os detalhes! A polícia SABIA quem eram os bandidos, suas características fisicas e que atormentavam a vizinhança havia meses.MESES!Nenhuma comunicação à população da região, nenhum cartaz com o retrato falado dos suspeitos, NADA que pudesse alertar os habitantes sobre o perigo que corriam. "Esse não é nosso serviço, dona". A polícia e a estratégia de segurança não mudam, não envolvem as possíveis vítimas,não tentam montar uma rede de proteção para a vizinhança,retém informações que ajudariam a combater a violência. Mas meus amigos vão mudar. Estão de malas prontas para deixar o bairro.

Visitas

Eu me lembro bem das visitas de João Paulo II. Um frisson tomava conta da gente quando ele vinha ao país. Os dias que antecediam à chegada eram dedicados aos preparativos e pairava uma certa euforia . Com Bento XVI foi bem diferente.Em São Paulo todo mundo reclamava, antevia um trânsito ainda mais caótico e isso é o pior dos infernos para o paulistano. Eu mesma marquei um encontro com uma amiga e ela desmarcou argumentando que as ruas estariam intransitáveis por conta do Sumo Pontífice. "Eu tenho medo do Papa", confessou.
O Vaticano é caprichoso, preparou cenários monumentais, reuniu milhares de fiéis, realizou rituais belissimos. É um show, na melhor expressão da palavra, que a ritualização sacraliza. Na missa dos bispos, a visão de dezenas de senhores vestidos de preto com adereços em púrpura impressionava, havia naquela coreografia de orações e reverências uma aura de poder. Gosto de rituais e gostei das posições assumidas claramente, mesmo que não concordasse. Num mundo e em que a conveniência ameaça a sinceridade é muito bom ouvir um discurso sem rodeios.
Acompanhei a polêmica do aborto, dei uma olhada nas coberturas, vi alguns passeios papais com a sensação de que faltava alguma coisa : faltou um hit para o Papa. É, uma trilha sonora para criar uma atmosfera e marcar sua passagem pelo
Brasil. Quem não lembra daquela musiquinha " A benção João de Deus..."?, que pegou de tal forma que mesmo quem não era católico aprendia por osmose. Todo mundo cantava , a multidão tinha uma identidade musical. Quentin Tarantino disse uma vez que escolhe cuidadosamente as trilhas sonoras porque uma música é capaz de trazer à memória cenas de seus filmes. Habemos papa sem hit. Confirmei essa sensação de ausência com algumas pessoas, soube que o hino criado para Bento XVI não pegou.
Os dias papais foram uma aula de marketing pessoal e instituicional, pompa e circusntância.A enxurrada de imagens e informações católicas, a onipresença papal, foi percebida até pelos mais distraídos.No domingo de manhã,eu tomava café numa padaria e um bêbado assistia à transmissão da missa de canonização de Frei Galvão. Forçou para fazer foco na tela,olhou o Papa por algum tempo,disse com uma voz pastosa: " E aí ? Ele veio pra paxar o ano ??".

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Deixem as madeixas!



Quando cheguei ela estava pesquisando na internet e se perguntando como tinha sobrevivido tanto tempo sem o Google. Da cozinha vinha um cheiro delicioso. " Vou servir o almoço assim que acabar aqui. Você conhece algum lugar que venda perucas?" Perucas ??!?!. De imediato lembrei de pessoas com interlace, implantes e de carecas disfarçadas. É o tipo de detalhe que não passa despercebido. Quem nunca ficou com o olhos fixos num interlecutor com cabelo artificial que atire a primeira madeixa!Foi então que olhei atentamente para ela. Os belos cachos em profusão haviam desaparecido.Foram tranformados em fios murchiiiinhos e espetados,tão lisos que não seguravam um grampo. Era mais uma vítima de armas químicas nas mãos da cabelereira errada.

Uma escova progressiva desencadeou a busca desesperada pela peruca perfeita. Esta técnica é uma chapinha que não sai. É a promessa de libertação definitiva do estica e puxa da secagem que consome hoooooooooras no cabelereiro e da segurança de que nem vento, nem chuva, nem tempestade são ameaça para o penteado "liso escorrido". Aplicada por mãos inábeis deixa o cabelo igual ao do Chuck, o brinquedo assassino. Confesso que vi poucas bem sucedidas, principalmente quando se recorre a esse recurso com frequência. Depois de cortar o cabelo três vezes em uma semana e fazer cinco hidratações, ela estava decidida : a solução era uma peruca. " Vou economizar tempo e dinheiro sem ir ao salão até tudo voltar a normal". Num site encontrou franjas, rabos de cavalo e outros apliques. Mas a procura era por um apetrecho que encobrisse TODO o desastre químico." Olha , essa é bem natural,né?", disse cheia de esperança diante do meu silêncio. Quem cala nem sempre consente. Endereço na mão partiu rumo a loja de perucas.

Lá encontrou um mundo de possibilidades capilares. Os cabelos artificiais eram mais baratos, mas tinham uma estranha textura. Quem não tem cabelo pode usar fitas adesivas dupla face para uma eficiente fixação na pele, os outros correm o risco de subitamente perder a cobertura craniana presa por uma touca. Quis exprimentar as de fios humanos. Descobriu que esse tipo é caríssimo e precisa ser lavado e secado no cabelereiro, com a vantagem de poder deixar lá a cabeleira e pegar horas depois o novo penteado para acoplar à cabeça. Não encontrou a cor ideal e amanhã continuará a pesquisa em outro endereço. O humor está por um fio. Lembrei de uma amiga que durante muito tempo lançou mão de todos os recursos para ter fios lisos. Desistiu depois de entrar numa festa e ouvir de um pretê que ela era um oásis no universo de chapinhas...Estão enrolados até hoje e ela não grita mais "mulheres com escova primeiro!" diante da ameaça de um temporal.




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segunda-feira, 30 de abril de 2007

Seguro de vida

Basta ter R$ 1 mil para ter um seguro de vida na Bahia.E não precisa de seguradora, apólice ou banco no meio das negociações. Um telefone de um matador resolve o problema. Os mais eficientes são os que moram em Sergipe, disse o nativo que me explicou esse sistema. Ele mesmo tem seu seguro poupança e os telefones úteis para a contratação do serviço. O dinheiro é aplicado da seguinte maneira : o transporte,a hospedagem, o pagamento e a fuga do contratado. Há gastos também para atrair a vítima, quase sempre o custo de uma bebedeira para uma aproximação tranquila do algoz. O trabalho geralmente se consuma nas alvas areias das praias desertas, onde a polícia raramente chega e as baixas da população ficam no anonimato da impunidade. Fato ou boato?Lá, ninguém sabe, ninguém viu, mas todo mundo comenta.

Pegada Ecológica

O professor Ladislau Dowbor é um economista que não se diz um pessimista quanto ao modelo econômico do qual partcipamos. Diz ser um otimista bem informado. Ao citar média de velocidade dos carros em São Paulo, afirma que com a moderna frota atingimos a finalmente a rápidez das carroças: 14 quilômetros por hora.A poluição causada pelas emissões dos automóveis e o esgotamento das reservas de petróleo faz do etanol a grande vedete do momento. Só que,lembra o professor, para produzir etanol será preciso uma enorme quantidade de petróleo para os tratores usados na plantação, nos caminhões que transportam as cargas, na distribuição do combustível limpo (?). A prioridade absoluta dos chefes de estado é onde plantar cana e colher algo que faça as engrenagens da sociedade continuarem funcionando.

É difícil abrir mão do conforto de transitar pelas ruas num carro,com ar condicionado, mas é fácil descobrir com quanto cada de um de nós contribui para a desgradação dos espaços urbanos calculando a pegada ecológica.
Basta acessar o site http://www.myfootprint.org/ para saber a sua contribuição para a sustentabilidade do planeta. Clique no título para acessar o blog do professor Ladislau Dowbor.

terça-feira, 17 de abril de 2007

Ai que saudades eu tenho da Bahia...

A música de Dorival Caymmi me veio a cabeça quando coloquei os pés na Praia do Forte. Estive lá há alguns anos e a vila me pareceu a mais perfeita tradução do paraíso. Ruas tranquilas de terra batida , pousadas charmosas, artesanato local a preços módicos e acesso a praias paradisíacas com piscinas naturais.

A Praia do Forte não é mais a mesma . O mar continua com uma cor caribenha, mas os condomínios de luxo fecharam o acesso a um bom pedaço da beira mar. Há seguranças com rádio para impedir a aproximação por carro de qualquer incauto que ouse invadir a privacidade de ruas com mansões para alugar - que na baixa temporada parecem cenário de uma cidade fantasma. A praia é de todos , mas a intolerância dos endinheirados especuladores imobiliários impede que se chegue à ela. A não ser que se queira caminhar pela praia, o que é difícil quando a maré sobe, ou se embrenhar pelo labirinto de ruas traçadas para excluir nativos e turistas. Um desconforto imposto às crianças e às pessoas com dificuldade de locomoção sem o menor pudor.

O artesanato local está em barraquinhas perto da igreja, onde é possível encontrar colares de coco e sementes da região com design interessante.Cristina, que chegou há 15 anos em Arembepe, leva para as areias uma coleção de colares e pulseiras feitos em cobre, que lembram desenhos de jóias estruscas. Mas estes artistas perderam lugar para grifes e lojas de shopping que ocupam a rua principal. Estranho. Quem viaja busca descobrir a cultura e as tradições locais e aos poucos a Praia do Forte enfraquece as raízes, perde a identidade.

Há núcleos de resistência, como o restaurante Casa de Nati. Ali se come iguarias com o tempero nativo e se priva da gostosa conversa da dona do estabelecimento. Maria Natividade nasceu na região e faz uma muqueca e uma casquinha de siri como ninguém. Ri da ansiedade dos forasteiros , daqueles que torcem o nariz para a simplicidade do ambiente e perdem a chance de conhecer sua saborosa hospitalidade.
Quem conhece Nati sai dali com saudades da Bahia.

Casa da Nati - Av. ACM, s/nº Tel.: 676-1239. Frutos do Mar

domingo, 15 de abril de 2007

Jazz no Paraguai



Para quem pensa em encher a sacola de bugigangas no Paraguai pra fazer a feira no Brasil, marquem em suas agendas eletrônicas: o Festival de Jazz de Assunção é em abril e vale a pena deixar de lado a coleção de Rolex baratos a comprar para ouvir uma boa música. Na primeira noite da décima edição do festival desse ano teve o "CCPA Jazz 7", uns rapazes animados do Centro Cultural Paraguaio-Americano, que abriga o festival e o guitarrista da velha guarda do blues Bill Sims Jr. junto com o dorminhoco trombonista Clark Gayton que trouxeram um delicioso som da "big apple" comandado por um notebook da Apple (veja a pagina do Gayton e ouça a musica dele clicando no título dessa postagem). Na segunda noite um contraste entre Argentina e Paraguai: de um lado a musica entendiante e depressiva dos hermanos portenhos do " Luis Nacht cuarteto" - os caras anunciaram um samba e tocaram uma macha fúnebre, para quem diz que o samba morreu em Brasília, experimente ouvir esses caras de Buenos Aires. Do outro lado o som vibrante de três jovens paraguaios que fizeram valer a noite. Eles formam o Movi Dick. O disco deles foi disputado a tapas. O último dia foi reservado para um tradicional musico do Paraguai com um tradicional quarteto, tocando um tradicional jazz e para uma incrível estréia internacional de duas brasileiras em um duo de piano: o " DuoGisBranco" formado por Bianca Gismonti e Claudia Castelo Branco. As meninas deram um show de bola. Foram as únicas aplaudidas de pé. Para quem não conhece ai no Brasil essa preciosidade; saia em busca. Elas são um tesouro de verdade. Vejam o vídeo e ouçam também algumas musicas no site delas www.myspace.com/duogisbranco

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Quéquiói?

Viajar é conhecer falares e visões do mundo. Sentada numa poltrona de ônibus rumo à Goiânia pude aferir os estragos do apagão aéreo que poucas reportagens revelaram. Na cadeira ao meu lado estava um dos mais engajados no coro de reclamações. Contou que desistiu de voar quando viu passageiros invadirem um avião para retirar pessoas embarcadas e fazer prevalecer a ordem caótica das decolagens. Grudado ao celular disparava críticas ao governo, justificava o atraso e amargou a perda de um negócio. Tinha passado a noite em claro no aeroporto e o cansaço acabou vencendo a indignação.

Na estrada, a medida em que o ônibus se afastava de Brasília, passava na janela a miséria e a desorganização urbana das cidades próximas à capital. Visão que só se reverte na chega a Goiânia. Um ar de prosperidade envolve a cidade, que foi planejada e conserva um belo patrimônio art-decô. A tranquilidade permite casas com muros baixos e um relaxado descanso em bancos de praça para aliviar o torpor provocado pelo calor. As ruas são limpas e arborizadas.

Ao estacionar o carro entrei em contato com o saboroso dialeto falado nas ruas. "Pó dá umpassadim deôi?", perguntou um passante.A sonoridade era a de uma língua estrangeira e,com a ajuda de um nativo, veio a tradução : posso dar uma passadinha de olhos? Era o guardador de carro oferecendo seus préstimos. Parece que por lá as frases ditas rapidamente destacam apenas as sílabas principais. Aquelas que ELES julgam essenciais para a comunicação. Para quem dirige e quer se inciar no dialeto goianês há ainda uma outra frase importante: " Quequiói?".Não há motivo temer desentendimentos: diante da dúvida, gestos ajudam na solução de qualquer enigma verbal e na decisão de querer que o interlocutor olhe o carro.

Luz, Câmara, Ação!

Na edição de hoje do Correio Braziliense uma declaração intrigante do Deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) sobre a redução do número de vagas oferecidas para jornalistas no Concurso da Câmara : "Ele ( o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, PT-SP) não vê necessidade de contratar mais jornalistas além dos que já formam o quadro da Câmara. Ele acha que o que se precisa é que os deputados venham para a Câmara e trabalhem. Assim a imagem da Câmara vai melhorar".

É obvio que a presença e a dedicação dos parlamentares ao trabalho é crucial não só para melhorar a "imagem da Casa", mas para o bom funcionamento do País. Quanto à Tv Câmara, ela tem exercido um importante papel na democracia brasileira ao colocar no ar os bastidores do legislativo. Enquanto as outras emissoras, em sua maioria, só mostram a votação em plenário, quando as negociações se consumam, a Tv Câmara transmite o funcionamento das comissões - onde de fato ocorrem as negociações e embates partidários sobre as questões nacionais. Transmite, na íntegra , os pronunciamentos e e debates parlamentares que , apesar de enfadonhos, permitem desvendar o posicionamento de cada um deles. É um instrumento de fiscalização dos representates do povo. Sintonizando na Tv Câmara cada brasileiro tem a chance de checar se ajudou a eleger um político que representa com dignidade e seriedade o mandato que lhe foi conferido pelo voto.

A declaração do Deputado Serraglio deixa no ar uma inquiteção sobre o papel da Tv Câmara. É crível que ela não tenha sido criada para melhorar a "imagem da Casa", mas para levar ao conhecimento da opinião pública o trabalho ali realizado e submeter ao julgamento do eleitor o desempenho dos eleitos. Não creio que seja interessante para o Brasil confundir este papel com o de um instrumento do marketing político-insitucional da Câmara.

Há que se registrar, ainda, que os concursos públicos visam aferir os conhecimentos específicos dos candidatos para vagas hoje ocupadas por funcionários terceirizados, cujo critério de escolha é bem mais subjetivo do que os definidos pelos concursos.Se há necessidade de contratação de mais profissionais da imprensa?Essa é outra história.

terça-feira, 27 de março de 2007

Viva o Etanol!!!

Que beleza! Seremos uma potência do etanol. A Terra Brasilis recebe chefes de Estado dos quatro cantos do mundo. Todos seduzidos por nossos imensas plantações de cana, extensões de terra ainda inexploradas e mão de obra semi-escrava, que colhe da terra a matéria-prima de combustível renovável. Um trabalho hercúleo por alguns tostões.

Celebremos esse incrível negócio que está sendo feito pelo nosso competente governo. Em breve veremos todo nosso território novamente tranformado em canavial, tal e qual na época em que eramos colônia. Em vez de escravos, os heróicos usineiros empregarão por salários ridículos um exército de homens e mulheres para cortar várias toneladas por dia nos campos. As queimadas tornarão nosso ar mais irrespirável e ,se usados agrotóxicos , teremos manaciais ainda mais poluídos. Isso sem contar que a área para o plantio de alimentos já começa a encolher e aí também teremos fome. Agradeçamos aos governantes, já que o jejum purifica a alma.

Viva !!! E o brilhante texto abaixo esmiuça a glória nacional executada com brilhantismos por nossos governantes. Um brinde a isso! Com aguardente, se sobrar algo da produção de combustível.

Um Novo Pacto Colonial
Por Gilberto Andrade de Abreu em 22/03/2007
Fonte: Gazeta Mercantil

22 de Março de 2007 - O aquecimento global está provoca efeitos além do clima. E o que nos preocupa, com a valorização da bioenergia, etanol, álcool e quejandos, é a monovisão economicista. Fala-se e repisa-se sobre as oportunidades que o Brasil terá. Hipertrofia-se a capacidade brasileira em tecnologia e terras agricultáveis, além de haver um dimensionamento exagerado dos possíveis ganhos ambientais. Muitos esquecem que o setor sucroalcooleiro recebeu bilhões de dólares no Programa do Pró-Álcool, a partir de 1975, e não se investiu um cêntimo em pesquisa para o álcool-químicos e sucroquímicos. Em suma, apesar dos avanços em mecanização, em geração de energia, na adição de alguns novos produtos, o setor continua o mesmo. Notadamente nos aspectos sócio-ambientais. Salvo as exceções de praxe, neles, a usina apenas sucedeu ao engenho.

A pesquisadora Maria Cristina Gonzaga, da Fundacentro, órgão ligado ao Ministério do Trabalho e Emprego, não deixa por menos: "o açúcar e o álcool no Brasil estão banhados em sangue, suor e morte. Os trabalhadores são massacrados, ficam doentes o tempo todo por diversos motivos". Se nos anos 80, o trabalhador cortava 4 toneladas de cana ao dia, hoje corta 10 toneladas. Isso lhe dá o direito de receber de R$ 413 por mês. Segundo o Boletim do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador: cada cortador de cana é levado a dar 30 golpes de facão por minuto em oito horas. A Pastoral do Migrante computou, somente no Estado de São Paulo, 17 mortes por extenuação nos canaviais em 2005 e 2006. Em seus laudos médicos, quase sempre se inscreve: "causa-mortis", parada cardíaca. E há outro jeito de morrer?

Em termos ambientais o desastre não é menor. Os mantos vegetais desapareceram. No município de Ribeirão Preto estão reduzidos a meros 3,8%. As matas ciliares que deveriam ter sido poupadas, não existem. As mudanças climáticas já são perceptíveis. Nos meses de estio que vão de abril a setembro registraram-se taxas de umidade relativa do ar baixíssimas. Na segunda semana de 2006 foram inferiores a 10%, fato que revela um estado emergencial. Na Câmara Municipal foi, inclusive, instalada uma Frente Parlamentar para produzir estudos e análises sobre o tema.

Enquanto isso, a "turma da tripa forra" comemora. A produção nacional, segundo dados do Ministério da Agricultura, na safra 2007/08, deve chegar a 475 milhões de toneladas. A produção de etanol deve ultrapassar os 17,5 bilhões de litros previstos. As projeções informam que essa cifra será dobrada.

Os passivos sociais e ambientais serão compartilhados? As distâncias sociais brasileiras serão diminuídas? Haverá um zoneamento agrícola que os norte-americanos adotam desde 1914?

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 7)(Gilberto Andrade de Abreu - Gilberto Andrade de Abreu é professor, historiador, escritor, doutorando em Educação pela Unicamp e Vereador em Ribeirão Preto pelo Partido Verde)

terça-feira, 13 de março de 2007

Os Britânicos caíram na rede

Sumo.Tv é a versão britânica do You Tube e dá um passo rumo a convergência das telas da Tv e do computador. Além de hospedar vídeos feitos por usuários, permite
acesso a um dos canais que são captados por assinantes da Sky na Inglaterra.
Outra diferença em relação ao You Tube é que os vídeos compartilhados no site podem também ser inseridos na programação do canal - e os autores recebem pelas produções.
De onde vem o dinheiro? Dos anunciantes e também de serviços interativos disponíveis em celular.

Quem quiser bisbiolhotar o site , que foi criado pela Cellcast,vai encontrar 40 mil vídeos. O canal negocia a transmissão no Brasil.

terça-feira, 6 de março de 2007

No Elevador do Filho de Deus

Elisa Lucinda

A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
Que eu já tô ficando craque em ressurreição.
Bobeou eu tô morrendo
Na minha extrema pulsão
Na minha extrema-unção
Na minha extrema menção
de acordar viva todo dia
Há dores que sinceramente eu não resolvo
sinceramente sucumbo
Há nós que não dissolvo
e me torno moribundo de doer daquele corte
do haver sangramento e forte
que vem no mesmo malote das coisas queridas
Vem dentro dos amores
dentro das perdas de coisas antes possuídas
dentro das alegrias havidas

Há porradas que não tem saída
há um monte de "não era isso que eu queria"
Outro dia, acabei de morrer
depois de uma crise sobre o existencialismo
3º mundo, ideologia e inflação...
E quando penso que não
me vejo ressurgida no banheiro
feito punheteiro de chuveiro
Sem cor, sem fala
nem informática nem cabala
eu era uma espécie de Lázara
poeta ressucitada
passaporte sem mala
com destino de nada!

A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
ensaiar mil vezes a séria despedida
a morte real do gastamento do corpo
a coisa mal resolvida
daquela morte florida
cheia de pêsames nos ombros dos parentes chorosos
cheio do sorriso culpado dos inimigos invejosos
que já to ficando especialista em renascimento

Hoje, praticamente, eu morro quando quero:
às vezes só porque não foi um bom desfecho
ou porque eu não concordo
Ou uma bela puxada no tapete
ou porque eu mesma me enrolo
Não dá outra: tiro o chinelo...
E dou uma morrida!
Não atendo telefone, campainha...
Fico aí camisolenta em estado de éter
nem zangada, nem histérica, nem puta da vida!
Tô nocauteada, tô morrida!

Morte cotidiana é boa porque além de ser uma pausa
não tem aquela ansiedade para entrar em cena
É uma espécie de venda
uma espécie de encomenda que a gente faz
pra ter depois ter um produto com maior resistência
onde a gente se recolhe (e quem não assume nega)
e fica feito a justiça: cega
Depois acorda bela
corta os cabelos
muda a maquiagem
reinventa modelos
reencontra os amigos que fazem a velha e merecida
pergunta ao teu eu: "Onde cê tava? Tava sumida, morreu?"
E a gente com aquela cara de fantasma moderno,
de expersona falida:
- Não, tava só deprimida.

sábado, 3 de março de 2007

Olha a Lua!


A lua é sempre presente nas varias mitologias e crenças folkloricas e é sempre associada as dinvidades femininas.Assim, a deusa grega Séléné(Luna para os romanos) foi associada a lua,antes de ser substituida por Artémis(Diana para os romanos).Tambem para os Mesopotamios,onde o Deus Nanna(ou Sin) é associado à lua e ainda na mitologia nordica,atribuindo Lsil o Deus da lua.
Os conhecimentos empiricos dos homens sobre a agricultura deram sempre grande importancia à lua,nas diversas fases de crescimento dos vegetais ou mesmo para determinar o momento propicio à colheta..
O termo « lunatico » é derivado de lua pela crença em que ela seria a causa do ciclo menstrual da mulher ou responsavel por uma loucura periodica !A mesma coisa concernando a lenda do lobsomen ;Creatura mitica que que recebia sua força da lua e passava da forma humana à uma forma animal durante as noites de lua cheia.
A lua sempre faz sonhar,principalmente pelos casais apaixonados ,que considerm o clarão de lua como um momento magico e muito romantico…Agente chama de lua a todo satelite natural de um planeta,mas de Lua com um L maiusculo o unico satelite natural da terra que por sua visibilidade e suas excentricidades, constitui sempre um foco de interesse para os humanos.
Para aqueles que gostam e precisam consultar ,que acreditam na força desse satelite precioso que canta e encanta todos nos terrestres,mimeografo Brasil publica suas fases para todo o ano de 2007.Bom proveito !