quinta-feira, 28 de junho de 2007

Gaza e Ibiza



Viagem de ônibus mais rápida que a de avião, só no Brasil. Relaxei. Na rodoviária de São Paulo, tudo muito rápido. Chegar, comprar a passagem e embarcar levou menos de 20 minutos. No ônibus, serviço de bordo, travesseiro, cobertor e filme para distrair. De dar inveja aos passageiros reféns do caos aéreo. E a sensação é muito semelhante a de estar voando: na terra como no ar, o espaço dos passageiros desafia a lei da física de que dois corpos não ocupam o mesmo espaço.
Percurso tranquilo, por do sol na estrada e a chegada no Rio de Janeiro à noite. Na Avenida Brasil, a visão do desleixo urbano na Cidade Maravilhosa. Vias sem iluminação compunham o cenário sinistro de abandono. Silhuetas se esgueirando apressadas nas calçadas escuras entre prédios pixados, lojas fechadas e barracos. O retrato do descaso e da inoperância do poder público, da miséria a que parte da população está entregue. Foi quando o ônibus parou.
Estavamos perto de Vigário Geral. O pneu furado obrigou o motorista a parar no meio da avenida. Ele não tinha rádio, celular ou qualquer meio de comunicação para pedir ajuda. Os passageiros estavam de pé, olhando de um lado para o outro nas janelas, como soldados de prontidão. O nervosismo, estampado no rosto de cada um, revelava o temor de ser um alvo fácil numa área perigosa. Onde ônibus é incendiado com passageiros dentro, carros são tomados de assalto em arrastões e tiroteios são frequentes. Estávamos na Faixa de Gaza carioca.
Ficamos assim até que o serviço de trânsito interditou as pistas para que o motorista pudesse cruzar algumas faixas e parar num posto de gasolina. Em minutos estavam todos com as malas nas mãos prontos para a fuga. Parecíamos náufragos na beira da praia esperando resgate. Ele não veio. Grupos se organizaram para pegar os táxis que estavam abastecendo. Peguei carona com um casal e ouvimos do motorista mais histórias escabrosas sobre a rotina do lugar. Foi sorte, disse ele. Se parássemos um pouco antes certamente teríamos sido depenados.
Chegando na rodoviária o último alerta: cuidado com os táxis piratas. Sem o menor controle eles pegam passageiros, cobram tarifas mais caras, inventam percursos. Não há fiscalização.Ainda bem que um amigo me aguardava. Saltei e, enquanto procurava por ele, notei que a decadência da cidade estava também ali. Esta porta de entrada de turistas estava suja e caindo aos pedaços. Contei rapidamente minha desventura e ouvi um tranquilizante "calma, deixa passar o túnel que chegamos à Cidade Maravilhosa". Esta cidade idealizada e cantada em verso e prosa está cada vez mais restrita à pequena área entre os morros e as praias da zona sul. Gaza e Ibiza separadas por um túnel.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Uma ponte para a alma

"Atravessando a Ponte: O Som de Istambul" é um documentário que faz da musicalidade um guia para desvendar questões étnicas e sociais da Turquia.Logo no início, uma citação de Confúcio fala da intenção do filme : a música revela um povo. E em 90 minutos, o diretor alemão Faith Akin passeia pela cidade para desvendar diversas facetas de Istambul. Mais do que uma viagem auditiva, o filme revela o caldeirão cultural da Turquia.

A câmera percorre cenários surpreendentes. Sai as ruas de uma aldeia para revelar a dançante tradição do casamento dos descendentes de romenos. No por do sol, navega até o estreito de Dardanelos com um grupo tocando a bordo. Mostra a melancolia dos curdos, até 1990 impedidos por lei de falar sua própria língua em território turco, reprensentados por uma cantora que solta a voz na acústica perfeita de uma casa de banhos secular.

Somos levados ao "underground", onde proliferam grupos de rock e rap,músicas de origem norte-americana que se revestem de originalidade na performance de cantores locais.A tradição muçulmana é representada pela delicadeza dos movimentos do giro sulfi e contrasta com a agilidade um ballet de "street dance" dos nativos que incorporam as novidades à rotina de Istambul.

Ciganos nativos sobem ao palco para tocar a alma com um som sensorial e eletrônico. Instrumentos ancestrais revelam acordes muito peculiares e um povo aberto aos mais diversos tipos de influências e combinações. Uma espécie de antropofagia para a criação de partituras que misturam tendências e estilos, do ocidente e do oriente.Uma ponte contruída com música para unir o que a geografia e a intolerância teimam em separar em dois mundos.
Clique no título para ver um pouco da Turquia...

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Automóvel, atropelamento e curva


O Zé atravessava a rua na zona sul do Rio de Janeiro quando foi atropelado. Deitado no asfalto, cercado por curiosos e solidários, ficou a esperar por socorro. Demorou.Quando ele já achava que o melhor mesmo era ir andando até o hospital, a ambulância chegou e de dentro dela saiu uma daquelas mulheres de seriado americano: cabelos sedosos ao vento, corpo escultural. Agora vai, pensou o Zé, serei super bem atendido.Ilusão.

Imobilizado,foi tranferido para a maca com aquela pescoceira que protege a coluna e, com todo cuidado, colocado no carro do Resgate. Mal começaram a andar e a maca fez o primeiro movimento brusco,depois escorregava de um lado para outro a cada manobra. Estava solta. A sensação era a de estar preso e deitado num skate gigante e desgovernado. O Zé bem que tentou gritar, fazer ruídos, emitir qualquer sinal que denunciasse o descuido.Em vão, a sirene ligada frustrava qualquer tentativa.Foi deslisando para lá e para cá, batendo nas paredes do carro no ritmo alucinado empreendido pelos motoristas de urgências quando seguem na direção do hospital. Supresa. Quando a corrida maluca terminou no Pronto-socorro estava numa posição tão improvável que deixou os atendentes de queixo caído.Sentia mais dores do que as provocadas pelo atropelamento.

Teve algumas fraturas diagnosticadas, foi engessado.Um trauma na cabeça exigiu que ficasse em observação a noite toda. Frustração. Não havia leitos no hospital. Só havia um lugar: a sala de sutura. Passou a noite vendo cortes, a confecção de pontos para unir as carnes, ouvindo gritos e lamúrias, aspirando os vapores dos medicamentos. Horror. Pela manhã chegou a família. O irmão saiu procurando médicos para conseguir a alta do Zé. Ninguém tinha tempo para liberar o doente confinado ao camarote das costuras. Já passava do meio dia e ele não tinha tomado nem café da manhã.Resolveu se salvar. Trajava aquele uniforme hospitalar, aberto nas costas e amarrado com um lacinho que deixava a mostra o "postérieur" . Não teve dúvida. Levantou-se, pegou os dois envelopes com radiografias que estavam ao seu lado. Colocou um na frente e outro atrás, qual tapa sexo. Olhando para os lados com medo de ser flagrado em sua fuga, saiu com a rapidez que os ferimentos permitiam. Cruzou corredores, passou pela portaria e finalmente chegou ao carro do irmão no estacionamento.Estava a salvo!
E o incrível desta história é que ela realmente aconteceu e pode se repetir com qualquer um no descalabro dos hospitais públicos.

sábado, 9 de junho de 2007

Mãos ao alto!


Histórias de assalto pontuam várias conversas e revelam uma rotina de violência nas cidades do páis.Num encontro interestadual,ouvi episódios que beiram o surreal e que mais parecem contos de uma mente criativa. A perseguição da presa por bandidos fez de um amigo vítima. Chegando a Guarulhos de uma viagem ao nordeste ele trazia na bagagem notebook, cãmera fotográfica e um enorme acervo de pesquisa para um documentário armazenado nos equipamentos. A caminho de casa, o motorista do táxi descreveu minuciosamente a rotina das abordagens feitas pelos bandidos. A localização no trânsito de táxis com a logo das cooperativas que atendem o aeroporto internacional, o acompanhamento do trajeto e a abordagem na chegada ao destino. Pouco depois, meu amigo viveu o roteiro descrito na porta de seu prédio. Perdeu tudo: equipamentos,bagagem,roupas, dinheiro. Quando tentou negociar a entrega do material de pesquisa foi ameaçado com um revolver. Perdeu, como dizem os cariocas.

Em Brasília, no estacionamento onde esperava a chegada da excursão em que um irmão era passageiro, outro amigo foi abordado.Com a tranquilidade de um descapitalizado,nem pensou duas vezes.Saiu do carro com as chaves nas mãos e disse ao bandido para abastecer antes da fuga, que o carro tinha problemas mecânicos e que a ação dele era uma benção - o seguro a ser pago era maior que o valor do veículo. Olhou no bolso do assaltante, viu um maço de cigarros e emendou que não tinha um tostão nem para fumar. O ladrão desistiu do automóvel micado, gentilmente ofereceu um cigarro, que fumou com o rapaz. Foi-se embora, não sem antes oferecer seus préstimos e amizade, assegurando que podia ser encontrado ali todas as noites.

O caso mais pitoresco foi o do sequestro de um celular também em Brasília. No dia do fechamento de uma publicação, com todos os números de contatos arquivados na memória do aparelho, o usuário deu por falta dele. Telefonou para seu número e ouviu uma absurda proposta de pagamento de resgate. Topou. Desesperado saiu para encontrar o ladrão. Ele estava a bordo de um ônibus,era fim de tarde e o tradicional caos no trâsito tinha se estabelecido. Tentando identificar o coletivo do meliante foi levado por um amigo numa perseguição de filme policial pelas ruas da cidade. Meia hora depois localizou o ônibus: o ladrão estava com uma camiseta na janela. No ponto seguinte, o ônibus parou. Estava lotado. A vítima subiu, ficou cara a cara com o ladrão que recebeu o dinheiro, entregou o aparelho e foi aplaudido pelos outros passageiros que pensaram ser aquela uma boa ação e não uma extorsão mediante sequestro de celular.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Relâmpago


Foi coisa de segundos.Meu amigo ouviu um carro familiar,foi à janela e disse que a mulher estava chegando. E na sequência falou nervoso: "Tem alguma coisa errada, minha mulher foi sequestrada". Viu a mulher parar o carro, ser abordada e arrancar novamente. Ela estava grávida e a novidade seria celebrada naquela noite. Achei precipitada a conclusão, disse que podia não ser bem aquilo, ela poderia ter ido comprar algo que esquecera, ter visto um amigo... Cinco minutos depois ele seguiu a intuição e ligou para a polícia. Estava certo.

Dentro do carro os assaltantes peguntaram quem era o homem na janela. "Meu marido", respondeu ela. Os bandidos analisaram a situação e decidiram abandonar logo o carro. Foi quando ela ouviu outra voz feminina. Em seu cárcere móvel, trafegando pelas ruas de São Paulo, havia outra vítima de sequestro relâmpago- e a ponto de ter um troço. Minha amiga disse que estava grávida e aos gritos os homens disseram que as duas mantivessem a cabeça baixa.

Em casa, vivi a agonia de meu amigo. Bastaram alguns minutos para uma devastação emocional. Recém-casado, esperando o primeiro filho, o casal começava a vida com difculdade. "Não vou aguentar, não vou aguentar se algo acontecer" ele repetia dando voltas na casa, até que a polícia e os parentes chegaram.

Os ladrões trocaram de carro, sacaram dinheiro no caixa eletrônico e afirmando que também eram " de família , dona", abandoram as duas mulheres numa farmácia. Minha amiga ligou para casa para tranquilizar o marido e pegou um táxi imediatamente. No caminho repassava as cenas que tinha vivido, segurava o ventre com as duas mãos. Tinha ficado incrivelmente calma. Até aquele momento.

Ao chegar em casa foi ter com os policiais, que começaram a descrever os possíveis bandidos - acertaram todos os detalhes! A polícia SABIA quem eram os bandidos, suas características fisicas e que atormentavam a vizinhança havia meses.MESES!Nenhuma comunicação à população da região, nenhum cartaz com o retrato falado dos suspeitos, NADA que pudesse alertar os habitantes sobre o perigo que corriam. "Esse não é nosso serviço, dona". A polícia e a estratégia de segurança não mudam, não envolvem as possíveis vítimas,não tentam montar uma rede de proteção para a vizinhança,retém informações que ajudariam a combater a violência. Mas meus amigos vão mudar. Estão de malas prontas para deixar o bairro.

Visitas

Eu me lembro bem das visitas de João Paulo II. Um frisson tomava conta da gente quando ele vinha ao país. Os dias que antecediam à chegada eram dedicados aos preparativos e pairava uma certa euforia . Com Bento XVI foi bem diferente.Em São Paulo todo mundo reclamava, antevia um trânsito ainda mais caótico e isso é o pior dos infernos para o paulistano. Eu mesma marquei um encontro com uma amiga e ela desmarcou argumentando que as ruas estariam intransitáveis por conta do Sumo Pontífice. "Eu tenho medo do Papa", confessou.
O Vaticano é caprichoso, preparou cenários monumentais, reuniu milhares de fiéis, realizou rituais belissimos. É um show, na melhor expressão da palavra, que a ritualização sacraliza. Na missa dos bispos, a visão de dezenas de senhores vestidos de preto com adereços em púrpura impressionava, havia naquela coreografia de orações e reverências uma aura de poder. Gosto de rituais e gostei das posições assumidas claramente, mesmo que não concordasse. Num mundo e em que a conveniência ameaça a sinceridade é muito bom ouvir um discurso sem rodeios.
Acompanhei a polêmica do aborto, dei uma olhada nas coberturas, vi alguns passeios papais com a sensação de que faltava alguma coisa : faltou um hit para o Papa. É, uma trilha sonora para criar uma atmosfera e marcar sua passagem pelo
Brasil. Quem não lembra daquela musiquinha " A benção João de Deus..."?, que pegou de tal forma que mesmo quem não era católico aprendia por osmose. Todo mundo cantava , a multidão tinha uma identidade musical. Quentin Tarantino disse uma vez que escolhe cuidadosamente as trilhas sonoras porque uma música é capaz de trazer à memória cenas de seus filmes. Habemos papa sem hit. Confirmei essa sensação de ausência com algumas pessoas, soube que o hino criado para Bento XVI não pegou.
Os dias papais foram uma aula de marketing pessoal e instituicional, pompa e circusntância.A enxurrada de imagens e informações católicas, a onipresença papal, foi percebida até pelos mais distraídos.No domingo de manhã,eu tomava café numa padaria e um bêbado assistia à transmissão da missa de canonização de Frei Galvão. Forçou para fazer foco na tela,olhou o Papa por algum tempo,disse com uma voz pastosa: " E aí ? Ele veio pra paxar o ano ??".

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Deixem as madeixas!



Quando cheguei ela estava pesquisando na internet e se perguntando como tinha sobrevivido tanto tempo sem o Google. Da cozinha vinha um cheiro delicioso. " Vou servir o almoço assim que acabar aqui. Você conhece algum lugar que venda perucas?" Perucas ??!?!. De imediato lembrei de pessoas com interlace, implantes e de carecas disfarçadas. É o tipo de detalhe que não passa despercebido. Quem nunca ficou com o olhos fixos num interlecutor com cabelo artificial que atire a primeira madeixa!Foi então que olhei atentamente para ela. Os belos cachos em profusão haviam desaparecido.Foram tranformados em fios murchiiiinhos e espetados,tão lisos que não seguravam um grampo. Era mais uma vítima de armas químicas nas mãos da cabelereira errada.

Uma escova progressiva desencadeou a busca desesperada pela peruca perfeita. Esta técnica é uma chapinha que não sai. É a promessa de libertação definitiva do estica e puxa da secagem que consome hoooooooooras no cabelereiro e da segurança de que nem vento, nem chuva, nem tempestade são ameaça para o penteado "liso escorrido". Aplicada por mãos inábeis deixa o cabelo igual ao do Chuck, o brinquedo assassino. Confesso que vi poucas bem sucedidas, principalmente quando se recorre a esse recurso com frequência. Depois de cortar o cabelo três vezes em uma semana e fazer cinco hidratações, ela estava decidida : a solução era uma peruca. " Vou economizar tempo e dinheiro sem ir ao salão até tudo voltar a normal". Num site encontrou franjas, rabos de cavalo e outros apliques. Mas a procura era por um apetrecho que encobrisse TODO o desastre químico." Olha , essa é bem natural,né?", disse cheia de esperança diante do meu silêncio. Quem cala nem sempre consente. Endereço na mão partiu rumo a loja de perucas.

Lá encontrou um mundo de possibilidades capilares. Os cabelos artificiais eram mais baratos, mas tinham uma estranha textura. Quem não tem cabelo pode usar fitas adesivas dupla face para uma eficiente fixação na pele, os outros correm o risco de subitamente perder a cobertura craniana presa por uma touca. Quis exprimentar as de fios humanos. Descobriu que esse tipo é caríssimo e precisa ser lavado e secado no cabelereiro, com a vantagem de poder deixar lá a cabeleira e pegar horas depois o novo penteado para acoplar à cabeça. Não encontrou a cor ideal e amanhã continuará a pesquisa em outro endereço. O humor está por um fio. Lembrei de uma amiga que durante muito tempo lançou mão de todos os recursos para ter fios lisos. Desistiu depois de entrar numa festa e ouvir de um pretê que ela era um oásis no universo de chapinhas...Estão enrolados até hoje e ela não grita mais "mulheres com escova primeiro!" diante da ameaça de um temporal.




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segunda-feira, 30 de abril de 2007

Seguro de vida

Basta ter R$ 1 mil para ter um seguro de vida na Bahia.E não precisa de seguradora, apólice ou banco no meio das negociações. Um telefone de um matador resolve o problema. Os mais eficientes são os que moram em Sergipe, disse o nativo que me explicou esse sistema. Ele mesmo tem seu seguro poupança e os telefones úteis para a contratação do serviço. O dinheiro é aplicado da seguinte maneira : o transporte,a hospedagem, o pagamento e a fuga do contratado. Há gastos também para atrair a vítima, quase sempre o custo de uma bebedeira para uma aproximação tranquila do algoz. O trabalho geralmente se consuma nas alvas areias das praias desertas, onde a polícia raramente chega e as baixas da população ficam no anonimato da impunidade. Fato ou boato?Lá, ninguém sabe, ninguém viu, mas todo mundo comenta.

Pegada Ecológica

O professor Ladislau Dowbor é um economista que não se diz um pessimista quanto ao modelo econômico do qual partcipamos. Diz ser um otimista bem informado. Ao citar média de velocidade dos carros em São Paulo, afirma que com a moderna frota atingimos a finalmente a rápidez das carroças: 14 quilômetros por hora.A poluição causada pelas emissões dos automóveis e o esgotamento das reservas de petróleo faz do etanol a grande vedete do momento. Só que,lembra o professor, para produzir etanol será preciso uma enorme quantidade de petróleo para os tratores usados na plantação, nos caminhões que transportam as cargas, na distribuição do combustível limpo (?). A prioridade absoluta dos chefes de estado é onde plantar cana e colher algo que faça as engrenagens da sociedade continuarem funcionando.

É difícil abrir mão do conforto de transitar pelas ruas num carro,com ar condicionado, mas é fácil descobrir com quanto cada de um de nós contribui para a desgradação dos espaços urbanos calculando a pegada ecológica.
Basta acessar o site http://www.myfootprint.org/ para saber a sua contribuição para a sustentabilidade do planeta. Clique no título para acessar o blog do professor Ladislau Dowbor.

terça-feira, 17 de abril de 2007

Ai que saudades eu tenho da Bahia...

A música de Dorival Caymmi me veio a cabeça quando coloquei os pés na Praia do Forte. Estive lá há alguns anos e a vila me pareceu a mais perfeita tradução do paraíso. Ruas tranquilas de terra batida , pousadas charmosas, artesanato local a preços módicos e acesso a praias paradisíacas com piscinas naturais.

A Praia do Forte não é mais a mesma . O mar continua com uma cor caribenha, mas os condomínios de luxo fecharam o acesso a um bom pedaço da beira mar. Há seguranças com rádio para impedir a aproximação por carro de qualquer incauto que ouse invadir a privacidade de ruas com mansões para alugar - que na baixa temporada parecem cenário de uma cidade fantasma. A praia é de todos , mas a intolerância dos endinheirados especuladores imobiliários impede que se chegue à ela. A não ser que se queira caminhar pela praia, o que é difícil quando a maré sobe, ou se embrenhar pelo labirinto de ruas traçadas para excluir nativos e turistas. Um desconforto imposto às crianças e às pessoas com dificuldade de locomoção sem o menor pudor.

O artesanato local está em barraquinhas perto da igreja, onde é possível encontrar colares de coco e sementes da região com design interessante.Cristina, que chegou há 15 anos em Arembepe, leva para as areias uma coleção de colares e pulseiras feitos em cobre, que lembram desenhos de jóias estruscas. Mas estes artistas perderam lugar para grifes e lojas de shopping que ocupam a rua principal. Estranho. Quem viaja busca descobrir a cultura e as tradições locais e aos poucos a Praia do Forte enfraquece as raízes, perde a identidade.

Há núcleos de resistência, como o restaurante Casa de Nati. Ali se come iguarias com o tempero nativo e se priva da gostosa conversa da dona do estabelecimento. Maria Natividade nasceu na região e faz uma muqueca e uma casquinha de siri como ninguém. Ri da ansiedade dos forasteiros , daqueles que torcem o nariz para a simplicidade do ambiente e perdem a chance de conhecer sua saborosa hospitalidade.
Quem conhece Nati sai dali com saudades da Bahia.

Casa da Nati - Av. ACM, s/nº Tel.: 676-1239. Frutos do Mar

domingo, 15 de abril de 2007

Jazz no Paraguai



Para quem pensa em encher a sacola de bugigangas no Paraguai pra fazer a feira no Brasil, marquem em suas agendas eletrônicas: o Festival de Jazz de Assunção é em abril e vale a pena deixar de lado a coleção de Rolex baratos a comprar para ouvir uma boa música. Na primeira noite da décima edição do festival desse ano teve o "CCPA Jazz 7", uns rapazes animados do Centro Cultural Paraguaio-Americano, que abriga o festival e o guitarrista da velha guarda do blues Bill Sims Jr. junto com o dorminhoco trombonista Clark Gayton que trouxeram um delicioso som da "big apple" comandado por um notebook da Apple (veja a pagina do Gayton e ouça a musica dele clicando no título dessa postagem). Na segunda noite um contraste entre Argentina e Paraguai: de um lado a musica entendiante e depressiva dos hermanos portenhos do " Luis Nacht cuarteto" - os caras anunciaram um samba e tocaram uma macha fúnebre, para quem diz que o samba morreu em Brasília, experimente ouvir esses caras de Buenos Aires. Do outro lado o som vibrante de três jovens paraguaios que fizeram valer a noite. Eles formam o Movi Dick. O disco deles foi disputado a tapas. O último dia foi reservado para um tradicional musico do Paraguai com um tradicional quarteto, tocando um tradicional jazz e para uma incrível estréia internacional de duas brasileiras em um duo de piano: o " DuoGisBranco" formado por Bianca Gismonti e Claudia Castelo Branco. As meninas deram um show de bola. Foram as únicas aplaudidas de pé. Para quem não conhece ai no Brasil essa preciosidade; saia em busca. Elas são um tesouro de verdade. Vejam o vídeo e ouçam também algumas musicas no site delas www.myspace.com/duogisbranco

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Quéquiói?

Viajar é conhecer falares e visões do mundo. Sentada numa poltrona de ônibus rumo à Goiânia pude aferir os estragos do apagão aéreo que poucas reportagens revelaram. Na cadeira ao meu lado estava um dos mais engajados no coro de reclamações. Contou que desistiu de voar quando viu passageiros invadirem um avião para retirar pessoas embarcadas e fazer prevalecer a ordem caótica das decolagens. Grudado ao celular disparava críticas ao governo, justificava o atraso e amargou a perda de um negócio. Tinha passado a noite em claro no aeroporto e o cansaço acabou vencendo a indignação.

Na estrada, a medida em que o ônibus se afastava de Brasília, passava na janela a miséria e a desorganização urbana das cidades próximas à capital. Visão que só se reverte na chega a Goiânia. Um ar de prosperidade envolve a cidade, que foi planejada e conserva um belo patrimônio art-decô. A tranquilidade permite casas com muros baixos e um relaxado descanso em bancos de praça para aliviar o torpor provocado pelo calor. As ruas são limpas e arborizadas.

Ao estacionar o carro entrei em contato com o saboroso dialeto falado nas ruas. "Pó dá umpassadim deôi?", perguntou um passante.A sonoridade era a de uma língua estrangeira e,com a ajuda de um nativo, veio a tradução : posso dar uma passadinha de olhos? Era o guardador de carro oferecendo seus préstimos. Parece que por lá as frases ditas rapidamente destacam apenas as sílabas principais. Aquelas que ELES julgam essenciais para a comunicação. Para quem dirige e quer se inciar no dialeto goianês há ainda uma outra frase importante: " Quequiói?".Não há motivo temer desentendimentos: diante da dúvida, gestos ajudam na solução de qualquer enigma verbal e na decisão de querer que o interlocutor olhe o carro.

Luz, Câmara, Ação!

Na edição de hoje do Correio Braziliense uma declaração intrigante do Deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) sobre a redução do número de vagas oferecidas para jornalistas no Concurso da Câmara : "Ele ( o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, PT-SP) não vê necessidade de contratar mais jornalistas além dos que já formam o quadro da Câmara. Ele acha que o que se precisa é que os deputados venham para a Câmara e trabalhem. Assim a imagem da Câmara vai melhorar".

É obvio que a presença e a dedicação dos parlamentares ao trabalho é crucial não só para melhorar a "imagem da Casa", mas para o bom funcionamento do País. Quanto à Tv Câmara, ela tem exercido um importante papel na democracia brasileira ao colocar no ar os bastidores do legislativo. Enquanto as outras emissoras, em sua maioria, só mostram a votação em plenário, quando as negociações se consumam, a Tv Câmara transmite o funcionamento das comissões - onde de fato ocorrem as negociações e embates partidários sobre as questões nacionais. Transmite, na íntegra , os pronunciamentos e e debates parlamentares que , apesar de enfadonhos, permitem desvendar o posicionamento de cada um deles. É um instrumento de fiscalização dos representates do povo. Sintonizando na Tv Câmara cada brasileiro tem a chance de checar se ajudou a eleger um político que representa com dignidade e seriedade o mandato que lhe foi conferido pelo voto.

A declaração do Deputado Serraglio deixa no ar uma inquiteção sobre o papel da Tv Câmara. É crível que ela não tenha sido criada para melhorar a "imagem da Casa", mas para levar ao conhecimento da opinião pública o trabalho ali realizado e submeter ao julgamento do eleitor o desempenho dos eleitos. Não creio que seja interessante para o Brasil confundir este papel com o de um instrumento do marketing político-insitucional da Câmara.

Há que se registrar, ainda, que os concursos públicos visam aferir os conhecimentos específicos dos candidatos para vagas hoje ocupadas por funcionários terceirizados, cujo critério de escolha é bem mais subjetivo do que os definidos pelos concursos.Se há necessidade de contratação de mais profissionais da imprensa?Essa é outra história.

terça-feira, 27 de março de 2007

Viva o Etanol!!!

Que beleza! Seremos uma potência do etanol. A Terra Brasilis recebe chefes de Estado dos quatro cantos do mundo. Todos seduzidos por nossos imensas plantações de cana, extensões de terra ainda inexploradas e mão de obra semi-escrava, que colhe da terra a matéria-prima de combustível renovável. Um trabalho hercúleo por alguns tostões.

Celebremos esse incrível negócio que está sendo feito pelo nosso competente governo. Em breve veremos todo nosso território novamente tranformado em canavial, tal e qual na época em que eramos colônia. Em vez de escravos, os heróicos usineiros empregarão por salários ridículos um exército de homens e mulheres para cortar várias toneladas por dia nos campos. As queimadas tornarão nosso ar mais irrespirável e ,se usados agrotóxicos , teremos manaciais ainda mais poluídos. Isso sem contar que a área para o plantio de alimentos já começa a encolher e aí também teremos fome. Agradeçamos aos governantes, já que o jejum purifica a alma.

Viva !!! E o brilhante texto abaixo esmiuça a glória nacional executada com brilhantismos por nossos governantes. Um brinde a isso! Com aguardente, se sobrar algo da produção de combustível.

Um Novo Pacto Colonial
Por Gilberto Andrade de Abreu em 22/03/2007
Fonte: Gazeta Mercantil

22 de Março de 2007 - O aquecimento global está provoca efeitos além do clima. E o que nos preocupa, com a valorização da bioenergia, etanol, álcool e quejandos, é a monovisão economicista. Fala-se e repisa-se sobre as oportunidades que o Brasil terá. Hipertrofia-se a capacidade brasileira em tecnologia e terras agricultáveis, além de haver um dimensionamento exagerado dos possíveis ganhos ambientais. Muitos esquecem que o setor sucroalcooleiro recebeu bilhões de dólares no Programa do Pró-Álcool, a partir de 1975, e não se investiu um cêntimo em pesquisa para o álcool-químicos e sucroquímicos. Em suma, apesar dos avanços em mecanização, em geração de energia, na adição de alguns novos produtos, o setor continua o mesmo. Notadamente nos aspectos sócio-ambientais. Salvo as exceções de praxe, neles, a usina apenas sucedeu ao engenho.

A pesquisadora Maria Cristina Gonzaga, da Fundacentro, órgão ligado ao Ministério do Trabalho e Emprego, não deixa por menos: "o açúcar e o álcool no Brasil estão banhados em sangue, suor e morte. Os trabalhadores são massacrados, ficam doentes o tempo todo por diversos motivos". Se nos anos 80, o trabalhador cortava 4 toneladas de cana ao dia, hoje corta 10 toneladas. Isso lhe dá o direito de receber de R$ 413 por mês. Segundo o Boletim do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador: cada cortador de cana é levado a dar 30 golpes de facão por minuto em oito horas. A Pastoral do Migrante computou, somente no Estado de São Paulo, 17 mortes por extenuação nos canaviais em 2005 e 2006. Em seus laudos médicos, quase sempre se inscreve: "causa-mortis", parada cardíaca. E há outro jeito de morrer?

Em termos ambientais o desastre não é menor. Os mantos vegetais desapareceram. No município de Ribeirão Preto estão reduzidos a meros 3,8%. As matas ciliares que deveriam ter sido poupadas, não existem. As mudanças climáticas já são perceptíveis. Nos meses de estio que vão de abril a setembro registraram-se taxas de umidade relativa do ar baixíssimas. Na segunda semana de 2006 foram inferiores a 10%, fato que revela um estado emergencial. Na Câmara Municipal foi, inclusive, instalada uma Frente Parlamentar para produzir estudos e análises sobre o tema.

Enquanto isso, a "turma da tripa forra" comemora. A produção nacional, segundo dados do Ministério da Agricultura, na safra 2007/08, deve chegar a 475 milhões de toneladas. A produção de etanol deve ultrapassar os 17,5 bilhões de litros previstos. As projeções informam que essa cifra será dobrada.

Os passivos sociais e ambientais serão compartilhados? As distâncias sociais brasileiras serão diminuídas? Haverá um zoneamento agrícola que os norte-americanos adotam desde 1914?

(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 7)(Gilberto Andrade de Abreu - Gilberto Andrade de Abreu é professor, historiador, escritor, doutorando em Educação pela Unicamp e Vereador em Ribeirão Preto pelo Partido Verde)

terça-feira, 13 de março de 2007

Os Britânicos caíram na rede

Sumo.Tv é a versão britânica do You Tube e dá um passo rumo a convergência das telas da Tv e do computador. Além de hospedar vídeos feitos por usuários, permite
acesso a um dos canais que são captados por assinantes da Sky na Inglaterra.
Outra diferença em relação ao You Tube é que os vídeos compartilhados no site podem também ser inseridos na programação do canal - e os autores recebem pelas produções.
De onde vem o dinheiro? Dos anunciantes e também de serviços interativos disponíveis em celular.

Quem quiser bisbiolhotar o site , que foi criado pela Cellcast,vai encontrar 40 mil vídeos. O canal negocia a transmissão no Brasil.

terça-feira, 6 de março de 2007

No Elevador do Filho de Deus

Elisa Lucinda

A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
Que eu já tô ficando craque em ressurreição.
Bobeou eu tô morrendo
Na minha extrema pulsão
Na minha extrema-unção
Na minha extrema menção
de acordar viva todo dia
Há dores que sinceramente eu não resolvo
sinceramente sucumbo
Há nós que não dissolvo
e me torno moribundo de doer daquele corte
do haver sangramento e forte
que vem no mesmo malote das coisas queridas
Vem dentro dos amores
dentro das perdas de coisas antes possuídas
dentro das alegrias havidas

Há porradas que não tem saída
há um monte de "não era isso que eu queria"
Outro dia, acabei de morrer
depois de uma crise sobre o existencialismo
3º mundo, ideologia e inflação...
E quando penso que não
me vejo ressurgida no banheiro
feito punheteiro de chuveiro
Sem cor, sem fala
nem informática nem cabala
eu era uma espécie de Lázara
poeta ressucitada
passaporte sem mala
com destino de nada!

A gente tem que morrer tantas vezes durante a vida
ensaiar mil vezes a séria despedida
a morte real do gastamento do corpo
a coisa mal resolvida
daquela morte florida
cheia de pêsames nos ombros dos parentes chorosos
cheio do sorriso culpado dos inimigos invejosos
que já to ficando especialista em renascimento

Hoje, praticamente, eu morro quando quero:
às vezes só porque não foi um bom desfecho
ou porque eu não concordo
Ou uma bela puxada no tapete
ou porque eu mesma me enrolo
Não dá outra: tiro o chinelo...
E dou uma morrida!
Não atendo telefone, campainha...
Fico aí camisolenta em estado de éter
nem zangada, nem histérica, nem puta da vida!
Tô nocauteada, tô morrida!

Morte cotidiana é boa porque além de ser uma pausa
não tem aquela ansiedade para entrar em cena
É uma espécie de venda
uma espécie de encomenda que a gente faz
pra ter depois ter um produto com maior resistência
onde a gente se recolhe (e quem não assume nega)
e fica feito a justiça: cega
Depois acorda bela
corta os cabelos
muda a maquiagem
reinventa modelos
reencontra os amigos que fazem a velha e merecida
pergunta ao teu eu: "Onde cê tava? Tava sumida, morreu?"
E a gente com aquela cara de fantasma moderno,
de expersona falida:
- Não, tava só deprimida.

sábado, 3 de março de 2007

Olha a Lua!


A lua é sempre presente nas varias mitologias e crenças folkloricas e é sempre associada as dinvidades femininas.Assim, a deusa grega Séléné(Luna para os romanos) foi associada a lua,antes de ser substituida por Artémis(Diana para os romanos).Tambem para os Mesopotamios,onde o Deus Nanna(ou Sin) é associado à lua e ainda na mitologia nordica,atribuindo Lsil o Deus da lua.
Os conhecimentos empiricos dos homens sobre a agricultura deram sempre grande importancia à lua,nas diversas fases de crescimento dos vegetais ou mesmo para determinar o momento propicio à colheta..
O termo « lunatico » é derivado de lua pela crença em que ela seria a causa do ciclo menstrual da mulher ou responsavel por uma loucura periodica !A mesma coisa concernando a lenda do lobsomen ;Creatura mitica que que recebia sua força da lua e passava da forma humana à uma forma animal durante as noites de lua cheia.
A lua sempre faz sonhar,principalmente pelos casais apaixonados ,que considerm o clarão de lua como um momento magico e muito romantico…Agente chama de lua a todo satelite natural de um planeta,mas de Lua com um L maiusculo o unico satelite natural da terra que por sua visibilidade e suas excentricidades, constitui sempre um foco de interesse para os humanos.
Para aqueles que gostam e precisam consultar ,que acreditam na força desse satelite precioso que canta e encanta todos nos terrestres,mimeografo Brasil publica suas fases para todo o ano de 2007.Bom proveito !

sexta-feira, 2 de março de 2007

"Bixas" não são homens



Pérola filosófica encontrada em uma cartilha escolar da Secretaria Estadual de Educação no Rio de Janeiro: "Penso, logo existo/loiras burras não pensam, logo loiras burras não existem/meu amigo diz que não é viado porque namora uma loira inteligente/ se uma loira inteligente namorasse meu amigo ela seria burra/ como loiras burras não existem, meu amigo não namora ninguem/logo, meu amigo é viado mesmo."

Outra maravilha da mesma cartilha educativa: "Todo homem é mortal/os bixas (sic) não são homens/ logo os viados são imortais."

Os gays gritaram alto contra a cartilha mas e as loiras? Quem se habilita a abrir uma entidade de representação das loiras?

Segundo " O Globo " o enunciado foi elaborado por um professor da USP que tem uma participação especial nesse vídeo "cabeça", doméstico, descoberto pelo Mimeografo Brasil sobre as questões "fundantes" da homosexualidade acadêmica: sexo, discoteca e maionese. O professor é o cabeludo que aparece no banheiro. Vídeo recomendado para os maiores de 18.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Where the Hell WAS Matt?

Matt tem 30 anos. Estava trabalhando em Brisbane, na Australia, quando pediu demissão e resolveu torrar as economias viajando pelo mundo. Para que a família e os amigos soubessem de seu paradeiro colocava num site imagens em que ele dançava, uma coreografia esquisitíssima, nos lugares mais incríveis do planeta. Uma empresa viu, gostou e se propôs a financiar esse dançarino desengonçado numa outra volta ao mundo. Matt passou seis meses visitando 39 países e as custas do patrocinador. E olha que a coreografia não melhorou nem um pouco

O dia em que o Brasil foi invadido

Colagem e vídeo, são as técnicas usadas neste trabalho de conclusão de uma faculdade de Publicidade e Propaganda.Uma divertida versão da política externa norte-americana frente aos desafios de ocupar a Amazônia.

Chaplin


A memória sublime nessa quarta de cinzas inaugura o fevereiro Chaplin no Mimeografo.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Buraco de Bala

Esse estúdio de design e animação de Brasília foi criado em 1999 e tem na lista de clientes empresas como a Nike e a Volkswagen. Aleixo, Bruno, Emerson e Silvio formam a equipe de criação das animações que impressionam pela origininalidade do traço e pela dinâmica das imagens criadas no computador. Em "Road to Maraca" , Ronaldinho corre até o famoso estádio carioca .Uma viagem virtual que demonstra o talento destes quatro cibercavaleiros .Vale a pena bisbilhotar o site desta moçada para ver o que eles andam fazendo.Clique no título.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Etnografia Digital


Michael Wesch é professor de antropologia cultural da Universidade do Kansas; aquele lugar perdido no meio dos Estados Unidos de onde saiu aquela menininha boba e chata do Mágico de Oz. Michael passa o tempo pesquisando a " etnografia digital". Ele estuda os impactos da tecnologia digital na interação humana e fez esse vídeo chamado " Web2.0... The Machine is Us/ing Us" lançado no final do mes passado que já é um dos mais populares entre os blogs. O Mimeografo traz para você em tela maior para que você leia essa curiosa realidade em que vivemos que revolucionou o escrever. Uma aula imperdível em menos de 5 minutos. Afiem o inglês.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Autogestao Poetica


Autor argentino, que já foi figurante de cinema e vendedor de jóias no Rio, criou um blog de poesia brasileira , que em poucos dias já contava com a participação de dezenas de poetas e hoje já passa a casa dos cem. O blog tornou-se a antologia mais viva da poesia que se faz no Brasil.
O Mimeografo destaca Claudio Oliveira

A tarde e eu

Por detrás do vidro do carro, vejo, nesta tarde em que chove, a tarde que esquecerei. E porque a esquecerei, esta tarde possui uma beleza diferente da de todas as outras tardes que não esquecerei. Desta tarde, nada ficará, embora a veja, agora, fugaz, diante de mim. Não posso tê-la, apenas perdê-la. É real esta tarde que esquecerei. As tardes que não esquecerei, ao contrário, são as tardes que inventei. Esta tarde que tenho diante de mim, por detrás do vidro do carro, esta tarde em que chove, não posso inventá-la. Só posso inventá-la como a tarde que esquecerei. Por isso, escrevo sobre esta tarde. Para ficar registrado esse esquecimento.
Eu mesmo, tão inventado quanto as tardes que não esquecerei, diante desta tarde que esquecerei, tão real e fugaz, sinto-me também fugaz e real. Eu mesmo sou este que esquecerei: a tarde, mas também esse (eu?) que vê a tarde e que esquecerei ter sido; este que não pude inventar, senão como aquele que esquecerei, e que esquecerei ter esquecido.


Clique no título para ler outras pérolas.

domingo, 11 de fevereiro de 2007

Athos...

ATHOS BULCÃO


"Para compreender melhor o lugar de grandeza da obra de Athos Bulcão na arte brasileira,é preciso ter não so um olhar sensivel e inteligente.Carece,também,comungar com a leveza inaugural de sua alma,com a agudeza vertical de sua mente,com seu humor fino e sagaz e com seu arguto espirito de artista.
A onipresença de sua criação extrapola generosa o espaço museologico,pois incorporou-se à arquitetura e conferiu-lhe,além de função e forma,o prazer estético em sua legitima e grande fome de arte.Em Brasilia suas obras invadem-barbaras e doces,belas e instigantes,vigorosas e harmoniosas povoando,como nenhum outro artista no mundo,o imaginario de uma cidade que ele fez e refez como sua.
Athos é a propia cara da urbe criada para ser o mais original projeto do moderno e do eterno,conciliando o singular sonho politico de juscelino com a plural utopia poética de Oscar e de Lucio."
Mimeografo Brasil visitou,gostou e recomenda a todos que corram até ao Espaço cultural contemporâneo(ECCO)Brasilia-DF para visitar a exposição "Retospectiva Athos Bulcão"que fica até o dia 26 de fevereiro.Corram!Vale a pena!

Homem-Aranha


Pop vídeo, pop arte, pop domingo. Destrua a sua TV.

sábado, 10 de fevereiro de 2007

A catedral cor de rosa



Numa noite dessas os Dependentes Emocionais da Pantera Cor de Rosa (DEPCER) resolveram partir para a ação e pintar aquelas obras de concreto branco gelo de Brasília. Adivinhe a cor escolhida. Pink, rosa, rosa-choque. Com um jogo de luz bem simples, um video bem amador, coragem e apoio irrestrito do Deputado Clodovil, eles fizeram da Catedral de Brasília um lugar perfeito para festas GLS, Raves, salão de beleza, Casa da Barbie, Gaiola das Loucas... Contribua. Deixe aqui no Mimeografo a sua impressão.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Jasmine Vegas



Já ouviu essa rapariga? Pense em fazer Bjork parecer Adriana Calcanhoto. O vídeo é lindo. Veja. Para ouvir e saber mais clique no título da postagem.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Está quente ou está frio?


O aquecimento global está esquentando os debates entre as nações. Se você é daqueles que usam o ar condicionado para esquecer do assunto... veja o vídeo feito no Canadá.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Vamos descobrir o Brasil


Em tempo de Chinaglia, vale a pena ver Glauber.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Henri Salvador



Quem imaginava Henri Salvador com aquela voz grossa e melada dando uma de cubana porra-louca? O Mimeografo Brasil investigou e descobriu que ele aprendeu as caras e caretas de Carmem Miranda quando trabalhava no Cassino da Urca. Lição do dia: cuide do seu presente para que ele não seja o mico que te condenará no futuro.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Avó tem que mostrar sem rir.



A atriz Maria Vergueiro, protagonista do sucesso internético-instantâneo "Tapa na Pantera" revela nesta entrevista que atriz e personagem se confundem e defende uma nova prática de educação infantil para as vovozinhas: mostrem a xoxota. Para os que não conhecem o vídeo-sucesso, dêm um tapa no "you tube".

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Hebe: primeira encarnaçao - 1950



O mundo antes de Maluf, dos diamantes, dos sofás, do buraco do metrô, dos cassinos de Punta del Leste, da ditadura, do celular, do Cd, do computador, do jato, da Aids, da Internet. No tempo de Chanel Hebe era Hebe.

Observação de um "tube-espectador"
" Em 1950 Hebe Camargo tinha 89 anos, portanto ela já trocou de corpo umas 3 vezes."

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

CHANEL e a HAUTE-COUTURE


Alta-costura. Esta palavra faz sonhar e a vida que gira em torno dela também. Como ninguém, Karl Lagerfeld, da maison Chanel, sabe oferecer a esse universo uma porção igual de magia e de realidade. A sua prática de combinar pequenas vestes e collants pretos mostra que ele conhece esses códigos nas pontas dos dedos. Ele oferece aos seus clientes um arsenal de conjuntos em « tweed », com cintos em vernis , de pequenos casacos com duplos botões e detalhes em cetin preto…A decoração? Um grande tapete cinza, tendo no fundo cortinas da mesma cor, faz lembrar um ateliê de costura. E, no entanto, o desfile aconteceu no Grand Palais, prestigioso prédio construido na época das grandes exposições universais, quando Paris sediou algumas das mais importantes no inicio do seculo XX.
O grupo « Cat Power », ao vivo, esquentou a atmosfera.
Na primeira fila, entre as inumeras personalidades habituais, Sofia Coppola, lado a lado com Diana Kruger. Em frente, as mulheres do poder-Bernadette Chirac, Anne Sincler, Claude Pompidou pareciam estar em casa. E a força da maison Chanel, de reunir os fãs de todas as generações e de todos os meios em torno do tweed, da camélia, da cor bege, do branco e do preto. Mas, sobretudo, em torno de uma feminilidade completamente afirmada, herdada de Gabrielle Chanel. Uma attitude que Karl Lagerfeld sabe muito bem perpetuar. A alta costura de Chanel hà o merito do frescor! E mais uma vez, acerta no alvo e faz uma demonstração da perfeita mecânica do “savoir faire”. Mr. Lagerfeld, grande senhor, traz consigo toda a sua equipe do studio de “la rue Cambon”.
Mimeógrafo Brasil convida seus leitores para uma rápida visita em imagens do que foi o desfile da maison Chanel, para a coleção primavera/verão 2007 da « haute couture » parisiense, que aconteceu na semana passada. Talvez uma das mais belas coleções desta temporada, e, quem sabe, uma das mais belas que Chanel apresentou nesses últimos anos. A « Haute Couture », essa patente francesa, que acontece duas vezes ao ano e que faz enlouquecer os terráqueos… !
Clic no titulo.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Axe Music na India.



A revolução cultural indiana é feita pelo Axé Music. Diversas bandas baianas passam parte do ano em Nova Deli para ensinar passos da dança e rítmos baianos para os indianos. O Mimeografo Brasil mostra para você as imagens dessa revolução. É uma nova imagem da India. Para quem ainda pensa que os indianos vivem na beira de um rio com aquele olhar-de-tapa-na-panteira, esperando a vida passar, vejam o video acima. Notem a mistura dos passos do axé com a sensualidade kamasutriana indiana. São gestos tão originais que devem ser copiados. Observem com bastante atenção. Pela animação de todos, parece que a coisa funciona. Um sucesso. Salve a Bahia.

domingo, 28 de janeiro de 2007

A verdadeira autobiografia



Noah Kalina, um menino maluquinho genial e disciplinado, resolveu fazer a sua biografia tirando fotos todos os dias dele mesmo durante 6 anos. Nessse primeiro trabalho sãõ 2356 fotos. Uma obra ainda em construção mas desde já impressionante. Quem quise seguir o dia-a-dia do cara, clique no título dessa postagem.

sábado, 27 de janeiro de 2007

Um amor de tubarao


Arnold Pointer,um pescador profissional do sul da Australia, tem um enorme problema :uma grande fêmea de "carcharodon carcharias" parece estar enfeitiçada por ele desde o dia em que a libertou de um enorme anzol e a salvou de uma morte certeira! ”já faz dois anos que ela não me deixa em paz”, desabafou o pescador aos jornalistas, alertados por essa curiosa história.”Ela me segue por todos os lugares. Ela espanta os peixes que eu tento pescar. Não agüento mais, não sei mais o que fazer!” É Realmente difícil se livrar de um tubarão de uma espécie protegida e medindo 5 metros, mesmo porque depois desse tempo uma afeição mútua acabou nascendo entre Arnold e “Cindy”,que cobra sua cota diária de carinhos...”Logo que eu paro o barco, Cindy vira a barriga pra cima para que eu a acaricie. Ela suspira,ela revira os olhos e bate as nadadeiras! Ela fica louca!” Mas essa relação não deixa de ser completamente sem perigo:”O pior é quando ela quer brincar de bola comigo. Ela lança golfinhos de 200 kilos, metade estraçalhados, sobre meu barco. Na última vez, tive que refazer toda a cabine de pilotagem.”

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Madonna canta: cada macaco em seu galho



O video "Jump" de Madonna lançado ontem é parte da estratégia do novo DVD que vem por ai para arrecadar graninha para a compra do leite dos meninos que adota. Nesse vídeo participação especial do ginásta Diego Hipólito em excelente forma física.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Como evitar roubar vasos de defuntos


O estilista Ronaldo Ésper, preso na semana passada acusado de furtar dois vasos do Cemitério do Araçá, na Zona Oeste de São Paulo, afirmou nesta terça-feira (23) que estava sob efeito de um remédio que toma contra depressão no dia do furto. “Estava sob efeito de um remédio que eu tomo contra depressão e que me dá uma sensação de que posso fazer tudo. Costumo ir a cemitério para colocar flores e estava à procura de um recipiente. Se estivesse mais lúcido, teria colocado em uma lata ou um balde” Alguém sabe que remédio papa-vaso-de-defunto é esse?

Sensibilizado com o drama vivido pelo estilista Ronaldo Ésper, a coluna de saúde do Diário Granma, Orgão oficial do comitê central do partido comunista de Cuba publicou a seguinte receita:

ESTA DEPRIMIDO?

1. No se fije metas difíciles.
2. Divida las tareas grandes en partes pequeñas, fíjese prioridades y haga lo que pueda.
3. No espere demasiado de usted mismo.
4. Procure estar con otras personas.
5. No tome decisiones importantes para su vida. En cualquier caso es prudente posponer las decisiones importantes hasta que su depresión haya mejorado.
6. No ignore los síntomas tempranos. Mientras más rapidamente se inicie el tratamiento, mejores resultados se obtienen.
7. No utilice alcohol para aliviar los síntomas. El alcohol puede empeorar la depresión.
8.Rechace los pensamientos negativos, estos son parte de la depresión y desaparecerán cuando el tratamiento surta efecto.
9. Haga ejercicios, vaya al cine, asista a un juego de pelota.
10. No se moleste si no mejora de inmediato. La mejoría toma su tiempo.

O Mimeografo Brasil recomenda também o aprendizado do espanhol e a não ingestão de criancinhas.

Novela inglesa tem beijo gay


A Globo não é BBC, América não é Torchwood, Perez não merece gloria e o Brasil... hummm. Deixa pra lá. Veja só o que entra em campo na nossa história:

Folha de São Paulo 11/05/2005

A expectativa criada em torno do beijo entre os personagens Júnior (Bruno Gagliasso) e Zeca (Erom Cordeiro) tomou uma dimensão de Copa do Mundo na comunidade GLBT.

Umas pessoas aprovaram o veto e deram vazão a comentários preconceituosos ("Achei sensato não aparecer esta pouca vergonha no horário nobre. Parabéns, Glória Perez, em não acabar a novela com baixaria" ou "Achei corretíssimo o fim da novela sem o beijo de Junior e Zeca, é preciso resgatar a moral e a família", escreveram internautas no fórum do MixBrasil).

"Esse beijo tem de ocorrer. O personagem foi muito bem construído e tem ajudado bastante a quebrar preconceitos. O beijo seria o coroamento de tudo isso. E já está mais do que na hora de, entre milhões e milhões de beijos héteros, também se mostre um nosso. Que venham mais", resumiu o espírito o site Gay Brasil, antes da exibição do último capítulo de "América".

"...No último domingo, o jornal inglês "The Observer" publicou: o anúncio de que haveria a cena do beijo "chocou um país considerado um dos mais liberais do mundo". Chocou mesmo? Não é o que aponta o "referendo" que veio à tona na Central de Atendimento aos Telespectadores da Globo.

Na semana passada, 53% dos que se manifestavam sobre o tema eram contrários ao beijo, e 47%, favoráveis. Anteontem, quando a polêmica ganhou mais destaque em programas de TV e Júnior e Zeca estavam mais próximos, o "sim" ao beijo disparou: 80% dos telespectadores defendiam que Glória mostrasse a cena."

Como a cena não aconteceu o Mimeografo Brasil foi busca-la em Londres. Cuidado ao abrir o vídeo você pode se chocar. O problema é seu. Isso aqui não é a Globo e nem a BBC.

Sessao Ternura: Topo Gigio



" Em pleno regime militar um ratinho importado dividia as atenções junto com a telenovela Beto Rockfeller, tratava-se de Topo Gigio, bonequinho criado pela italiana Maria Perego que ganhou fama internacional.

Em seu país de origem, o personagem era apresentado pela atriz Gina Lollobrigida e nos Estados Unidos aparecia no famoso show do Ed Sullivan.

Aqui no Brasil, Topo Gigio começou na Tv Globo, no programa de auditório Mister Show (1969) e fez um grande sucesso na época. Com o término do programa em novembro de 1970, o bonequinho ganhou um programa com o seu nome onde contracenava com Agildo Ribeiro, seu interlocutor humano. Este programa tinha um objetivo educacional de orientar as crianças em suas obrigações diárias como escovar os dentes, lavar as orelhas, fazer a oração, entre outras coisas.

No programa, o ratinho manipulado por Laert Sarrumor e Agildo protagonizavam esquetes enquanto cantarolavam "Meu limão, meu limoeiro", entre outras músicas. As crianças esperavam ansiosas pelo momento em que o boneco, no final do programa, pedisse "um beijinho de boa noite" com seu sotaque italiano e balançando a perninha."

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

domingo, 21 de janeiro de 2007

BULL DANCING


O Bumba meu Boi é ainda hoje celebrado como um ritual coletivo de grande importância social,político e cultural do Brasil. BULL DANCING é um espetáculo que toma como ponto de partida a manifestaçao folclórica do Bumba meu Boi, revisitando as origens desse rito popular a partir de uma descontrução dos elementos folclóricos, revirando as entranhas do corpo. No espetáculo, o corpo serve como metáfora para esse boi sagrado e profano. BULL DANCING é um espetáculo de carne e osso sobre nossos rituais diários de morte e ressurreição, num campo de batalha entre o animal e o racional.
Um espetáculo forte, sensual e intrigante! Tem a direção/concepção/coreografia de Marcelo Evelin. E está em cartaz ,neste momento, na capital mais bonita do hemisfério sul.Teatro Funarte,Brasília-DF.Vale a pena conferir!

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

Ravioli + Acarajé = Acaravioli

Um acreano chamado Clistenes de Paula inventou essa receita que mistura massa com cacau + vatapa+manga+maracujá e camarão. Aparentemente parece tão bizarro quanto colocar o Bento Ratzinger em desfile de escola de samba vestido de Mãe Menininha na ala das baianas distribuindo beijos para a arquibancada. Mas, para a supresa de todos o tal ravioli na verdade, de vatapá, é um sucesso. Ganhou concurso na capital. Provem. Receita publicada com excluvidade pelo Mimeografo Brasil.

Molho:
500 gr de manga cortada em cubos
Leite de Côco - 225 gr
Dendê - 50 Gr
azeite de oliva - a gosto
cebola Brunoise - 50 gr
Alho - 2 dentes picados
polpa de maracujá (Não vale suco de garrafa) - 50 gr
Suco de limão - 10 gr
sal - a gosto

Refogue a cebola junto com o alho, até as cebola
começarem a ficar transparentes, adicione a manga ou
polpa de manga e os demais ingredientes. Mexer, até
obter uma mistura homogênea, deixar ferver por uns 2
minutos. Coe numa peneira de trama larga, e reserve.

Recheio
tomates brunoise - 115 gr
Camarão seco sem cascas - 350 gr
Pimentões Brunoise(verde, vermelho e amarelo) - 200gr
total
cebola brunoise - 50 gr
alho - a gosto
Vatapá - 300 gr

Preparo:
Esquente a panela, coloque um fio de azeite de oliva,
e coloque os tomates para retirar a acidez, junte a
cebola para clarear, e em seguida os pimentões.
Refogue (evite fazer água) até perceber um leve aroma
de pimentão adocicado. Junte os camarões, refogue mais
um pouco, corrija o sal e reserve.

Vatapá
300 gr de pão de forma
150 gr de leite de côco
10 gr de Hondashi
50 gr de azeite de dênde
60 gr de castanha de caju (moida grosseiramente).
cebola - 50 gr
alho - dois dentes picados
sal - a gosto

Esfarelar o pão de forma molhado com o leite de côco,
se estiver muito seco acrescente um pouco mais de
leite de côco, mas deixe a massa com uma consistência
firme.
Acrescente o hondashi, misture bem até obter uma massa
homogênea. Acrescente a castanha.
Esquente a panela, coloque um fio de dendê, refogue a
cebola e o alho, até clarear as cebolas, junte a massa
e o resto do dendê e mexa continuamente para evitar
que a massa grude no fundo da panela, corrija o sal e
reserve.

Massa do Ravioli
Farinha de trigo - 300gr
agua - 160 gr
cacau (sem açucar) - 3 gr
paprica doce - 10 gr
sal 10 gr
azeite - 30gr
Preparo:
Hidrate o cacau com um pouco de água, dissolva o sal,
o cacau junto com a páprica na água para obter uma
colororação marron avermelhada.
Adicione a água na farinha, e misture bem. Adicione o
azeite. Deixe a massa descansar.

Finalização
Estire a massa (2mm). Divida a massa em duas partes.
Com uma colher de chá, vá colocando pequenas bolas de
vatapá espaçadas sobre metade da massa. Depois com a
mesma colher de chá deposite o preparado de camarão e
pimentões sobre o vatapá.
Borrife a massa com água e cubra com massa, a metade
da massa aonde estao as bolinhas de vatapá/camarão.
Pressione a massa para que as duas metades grudem uma
sobre a outra. Corte com molde redondo. Polvilhe os
acaravioles com semolina pra não grudar.
Aqueça o molho, cozinhe os acaravioles. Coloque 7
(sete) acaravioles no prato, molho sobre os benditos.
Decore com brunoise de pimentões, cebolinha cortada,
pimenta dedo de moça e fatias de manga. Bom apetite e aguardo comentários.


quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

A poesia da noite












O vento

Quero so ficar aqui
Esperando o vento
O vento grande bater
Na roupa que as mulheres estenderam
Roupa branca
Minha memoria nao é mais branca
So a roupa
Fluxo nexo sexo perplexo
Vento perplexo?
Nao,o vento nao é branco
O vento é muito pior
Ele é sem cor
Quero so ficar
Esperando o vento bater
Na roupa que as mulheres estenderam
Sem nexo,sem sexo
Perplexo
Vela inflada
Ausência de barco e de cor
Vela inflada
Estou velando o vento.

Sonia Rangel

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Voyages extraordinaires












O que é um vestido? ...é um pedaço de tecido que proteje o corpo da mulher dos olhares e do frio! O que é um vestido de St.Laurent? ...Uma chamada,a porta de entrada de um reino,um ar de dança. O que é uma blusa? ...Uma grande camisa de tecido grosseiro,uma roupa de trabalho. O que é uma blusa de St.Laurent?...Um perfume,um piscar de olhos,uma janela para o corpo.

Texto extraido do catalogo da exposiçao "Voyages extraordinaires"de Yves St. Laurent,esse genial costureiro Francês,que um dia bombou esse planeta e deu de presente as mulheres a "transparencia"!
Fundation Pierre Bergé / Yves Saint Laurent Paris 16 eme
Vale à pena conferir.Link acima ou em "outras imagens".

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Iphone,o canivete suiço

O salão americano da eletrônica para o grande público, que é a maior reunião mundial de profissionais do setor, fechou suas portas recentemente, em Las Vegas, tendo como temas centrais as tecnologias digital e wireless (sem fio), a Consumer Electronic Show (CES), que se celebra em Las Vegas desde 1978, "é um local destinado, antes de tudo, aos profissionais, com fabricantes que chegam para apresentar seus novos produtos e distribuidores que elegem o que porão à venda meses depois »,explicou Jim Barry,porta voz da associação que representa o setor.O acontecimento reúne empresas de áudio, imagem digital, videogames, de tecnologias denominadas emergentes - telefonia e televisão por Internet, tecnologias wireless -, mas também segmentos em expansão como o cinema em casa, a alta tecnologia para automóveis e a rádio via satélite
Segundo as pesquisas, os produtos estrelas de 2006 foram basicamente as telas de televisão de alta definição (tela plana, plasma), os produtos a meio caminho entre o trabalho e o entretenimento (celulares, consoles de videogame de última geração) e, certamente, o reprodutor portátil iPod da Apple em suas últimas versões, "já que este produto é, por si só, um fenômeno social.Os produtos eletronicos viciam e a demanda esta ai…e os produtos também estão ai « acrescentou o analista Carmi Levy,fazendo alusão à saida de « objetos do desejo »,como o console multifuncional Xbox da microsoft e,claro,os ultimos ipod...o Iphone etc.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Fofoca


Spok tem uma mulher. O vulcano saiu aos tapas com o capitão por causa da megera. Um cinegrafista amador gravou essas imagens que somente chegaram agora a terra depois de viajar 2058798765462534746 quilometros no espaço.

Pensamento do Dia


O jardineiro é Jesus e as árvores somos nós. Esse é um mantra budista importante para o nosso crescimento como ser humano. Quanto mais vezes você assistir ao vídeo mas perto da iluminação você estará.

O Pato Donald


Donald Rumsfeld , 74, renunciou ao cargo de secretário de Defesa dos Estados Unidos. Deixa a liderança do Pentágono, cargo que ocupou nos últimos seis anos. Teve o nome envolvido em escândalos, deu pitacos que transformaram a guerra do Iraque num sangrento fiasco e contribuiu para a desastrosa política externa dos falcões da Casa Branca. Mas o pobre tem lá seus bons momentos com alguma ajuda de efeitos especiais...como nesse vídeo.É ver para rir.

Sacar e clicar

Duas da tarde. Os 5 convidados chegam na hora marcada. Ocupam seus lugares enquanto os olhos vagueiam pela sala a procura de uma fonte de energia. Na sequência sacam de suas bolsas os notebooks e postam as máquinas em cima da mesa. Ao lado deles os celulares e os blackberries. Lembra um filme de faroeste, em que os personagens apresentam suas armas na mesa do bar. Num power-point, a agenda de discussão, o projeto e o plano de ação. As dúvidas que surgem são resolvidas com um "google". O encontro se encerra com a cerimônia de troca de e-mails , envio de arquivos e material para pesquisa.

Presos aos grilhões eletrônicos, sempre acessíveis e acessando. Numa rápida conversa, os tetemunhos daqueles que passam horas movendo os olhos e alguns músculos das mãos, clicando incessantemente. Tenho circulado por escritórios de grandes corporações e observado o silêncio dos ambientes. As conversas são pelos sistemas de comunicação interna, o olhos fixos nas telas privilegiam os interlocutores virtuais. Numa ligação para um amigo que tinha acabado de trocar de emprego, ele logo me alertou : " Você tem que falar rápido! Em um minuto realizo três operações financeiras". Desliguei - mandei um e-mail.

Na internet, esta ferramenta que abre um milhão de possibilidades para os curiosos de plantão, encontrei o outro lado deste universo high-tech. Apenas 16,3% das casas brasileiras têm computadores e 12,4% estão conectados à internet (Pnad/2004). Segundo essa pesquisa as escolas públicas atendem mais de 50 milhões de crianças e jovens, e a Unesco revelou, depois de entrevistar cinco mil professores em 26 estados e na capital do país, que mais da metade não navega na internet e nem sequer acessa correio eletrônico.

A exclusão digital caracteriza-se como um aspecto da exclusão social, limita o exercício da cidadania. Esta constatação tem animado debates de pensadores da sociedade da informação/conhecimento. Herbert Schiller, da Universidadade da Califórnia, fala da “informação socialmente necessária”.Ele destaca que, do jeito que a coisa anda, em vez da democracia prometida pelos recursos tecnológicos, o que se vê é que desigualdades sociais e econômicas se acentuam e se intensifica o isolamento da população que não está inserida neste universo conectado. Os pobres, que são maioria da população e recebem educação precária, tem sido crescentemente escanteados,apartados do conhecimento.São atores sociais sem acesso ao palco tecnológico.

Como a informação e conhecimento definem quem detém o poder, o dinheiro garante que os ricos fiquem mais ricos e mantenham seu status. Quem é vitima da divisão virtual da sociedade, fica privado do acesso às ferramentas que permitem formas diferentes de compreender e se inserir no mundo moderno. Os pobres tornam-se cada vez mais pobres, financeira e intelectualmente. São vítimas do chamado apertheid digital,, que vai se aprofundar cada vez mais enquanto os processos pedagógicos desprezarem o potencial dos equipamentos porque os professores das escolas públicas não sabem lidar e/ou não tem acesso aos laboratórios de informática.

Para saber mais sobre Schiller é só clicar no tílutlo desta postagem e ler o material escrito por Tânia de Morais Soares. É só mexer alguns músculos das mãos, os olhos e ativar os neurônios....

Horoscopo para os criadores do blog

Horoscopo Mime - (somente o que interessa)

Áries: Mantenha-se em ação e evite que pensamentos desagradáveis tome conta da sua cabeça.

Virgem: Hoje você poderá se sentir um tanto inseguro quanto à sua imagem.

Sagitário: Hoje suas emoções prevalecem sobre seu intelecto.

Em breve, neste blog, a psiquiatra, psicanalista, antropologa, jornalista, massagista, astrologa e ex-baiana de acarajé em Luanda, Suely Miranda Radcliffe-Blue da Silva Castro, mas conhecida como Madame Mime, dará consultas on-line para todos os leitores interessados em resolver problemas de dor de cotovelo, falta de dinheiro, busca por um amor perdido ou nunca encontrado, falta de sentido para a vida e mau humor. Escrevam os seus problemas na campo de comentários e eles serão resolvidos com ajuda de Mime.

Drag-Virus-Queen pode ser inofencivo

O vírus HIV deverá trocar esse visual coloridinho no Brasil nos próximos anos. Ele vai ganhar uma nova capa feita de uma espécie de alga (Dictyota pfaffii), que vive no litoral brasileiro.
Pesquisadores do IOC (Instituto Oswaldo Cruz), da UFF (Universidade Federal Fluminense) e da Fundação Ataulpho de Paiva começam no mês que vem a segunda fase de testes de um gel microbicida, feito de uma substância isolada da alga e destinado a impedir a transmissão sexual.
"Nesta fase pré-clínica, que vai começar, vamos fazer testes em camundongos e em células também vivas do colo do útero" disse à Folha de São Paulo o imunologista Luiz Castello Branco, coordenador do estudo.
Na fase inicial do projeto, feita durante os três últimos anos, a eficiência do medicamento foi de 95%. "Vamos, com certeza, chegar ao produto final com uma eficiência superior a dos 50%", garante Castello Branco.
Você camundonga ou camundogo-leitor usaria a Dictyota pfaffi no seu íntimo?

domingo, 14 de janeiro de 2007

A grande-Missa

Capital legitima da moda, e mãe pàtria da alta costura, Paris inventou no século XIX os encontros ritmados pelas estaçoes. Logo, seguida por Milao, Londres, New York. Essas quatro cidades,rivais,cumplices e palcos do mundo, oferecem o panorama mais exaustivo das tendências. Abastecem compradores, editores e ditadores do que "deve" e "nao deve" no planeta "Vanity". Suprem, ainda,os estoques dos pequenos mestres da "copia" e também das industrias. Produzem a matéria prima do extase que derrete nas pistas de dança e nas passarelas de todas as tribos "fashion", que esperam ardentemente para se fazer ver e aparecer, se frotar nos ultimos efeitos tendenciais.
E com um efeito, inegavalmente luminoso,as grandes cidades que acolhem esses rituais de criaçoes vestimentarias sorvem cada retorno (imagem e dinheiro) emitido por admiriradores dos quatro cantos do mundo. Ao olhar e ao cortejo de profissionais,jornalistas e do povo planetario - que se movimentam e se acotovelam para assistir cada passo das tendencias - as "maisons" brilham. Um eco ultramoderno que faz vibrar as cordas economico-mediaticas de outras cidades. Moscou,Kiev,Shanghai,jakarta,Bali,Copenhague,Barcelona,Lisboa,Berlim,Atenas,Rio,Sao Paulo...Cada uma quer sua "Fashion Week". Cada uma sonha com sua tronizaçao nessa grande missa.

sábado, 13 de janeiro de 2007

A razão simbólica: uma proposta indecente.

No filme “Proposta Indecente” , Diana, a personagem de Demi More, depois de muito ponderar com o seu marido, David Murphy, interpretado por Woodey Harrelson, aceita dormir com outro homem em troca de um milhão de dólares. Iremos, neste ensaio aproximar a proposta que está sendo negociada neste neste filme de alguns estudos antropológicos e etnográficos para demonstrar como a dimensão simbólica das trocas, mesmo em instâncias individuais e não apenas morais, como indica Mauss em sua obra “Ensaio sobre a Dádiva”, media as nossas relações mas não são vividas como tais.

Mauss confere, às trocas nas sociedades primitivas, a categoria de “fato social total” que se exprime ao mesmo tempo, e de uma só vez, todas as espécies de instituições. Ele vai buscar em etnografias dados para configurar o seu conceito. Assim, o “kula” no Pacífico Ocidental e o “Potlatch” entre os nativos norte-americanos tornam-se emblemas da sua construção analítica que nos revela o quanto há de simbólico nas trocas entre coletividades.

“Nas economias e nos direitos que precederam os nossos, não se observam nunca, por assim dizer, simples trocas de bens, de riquezas e de produtos no decurso de um mercado passado entre os indivíduos. Em primeiro lugar, não se trata de indivíduos, trata-se de coletividades que se obrigam mutuamente, trocam e contratam; as pessoas presentes ao contrato são pessoas morais: clãs, tribos, famílias, que se atacam e se opõem, quer em grupos desafiando-se directamente, quer por intermédio dos seus chefes, quer de ambas estas duas maneiras simultaneamente. Além disso, o que eles trocam não são exclusivamente bens e riquezas, móveis e imóveis, coisas úteis economicamente. São, antes de mais, amabilidades, festins, ritos, serviços militares, mulheres, crianças, danças festas, feiras, cujo mercado não é senão um dos seus momentos e em que a circulação de riquezas mais não é do que um dos termos de um contrato muito mais geral e muito mais permanente.”

Em “Proposta Indecente”, na ordem do comércio, individualmente, o milionário John Cage interpretado por Robert Redford oferece um valor monetário hiperbólico para dormir com uma mulher. Ainda na ordem da razão prática desse comércio o casal aceita a proposta para pagar dívidas, construir uma casa, “garantir um futuro”. Afinal seria apenas uma noite em troca de um serviço de um corpo que seria oferecido sem o “hau”, o “mana” ou alma dos objetos que circulam nas trocas das coletividades primitivas.

“Uma cena decisiva é aquela em que, no cassino, ele pede-lhe que jogue em seu lugar – ela joga e ele ganha. Por meio desse gesto, ele seduz – é como se ele apostasse nela esse milhão de dólares, como se de repente ela se tornasse a aposta viva da partida e, como ganha , é como se ela tomasse o lugar do milhão de dólares que ele oferece para passar a noite com ele.... Não é que ela “valha ”um milhão de dólares; enquanto ser singular, ela não vale nada. Mas o milhão de dólares, posto em jogo dessa forma, também não vale nada – e é nessa circunstância de não-valor, nessa circunstância do nada , que podem passar de um a outro, de um no outro, sem perder na troca.”

O sociólogo e filosofo Jean Braudillard, ao analisar o filme, dá-nos a pista para entendermos que é na fantasia do aniquilamento ou na transfusão do valor que se dá, o que poderíamos dizer, uma não-troca como a proposta indecente feita pelo bilionário Cage e aceita pela pobre Diana seduzida por esse pacto: a mulher estaria neste jogo como um serviço a ser contratado e destituído de significados senão o comercial em que o seu objetivo deve ser o gozo de Cage mediado por um valor monetário que, na ordem cultural capitalista, pode ser trocado por tudo.
Inadvertido, Cage celebra o pacto que aos poucos se revela destituído de força porque o que ele queria comprar era o que não podia ser vendido, como um objeto sagrado que não circula nas sociedades primitivas descritas por Mauss. Cage invejava a relação, a cumplicidade amorosa que Diana tinha com o seu marido David e queria apropriar-se dela como se isso fosse possível.

David é um homem que vive o conflito entre o interesse e desinteresse de um milhão de dólares. É ele quem destrói o valor monetário, como em um Potlach, dedicando todo o dinheiro à causa da preservação dos hipopótamos, um ato que ele vive como de desapego para renascer “puro” e talvez resgatar mais tarde a sua relação com Diana. Mas o próprio Mauss sugere que “mesmo a destruição pura das riquezas não corresponde ao desapego completo que nela se poderia julgar contido. Mesmo estes actos de grandeza não estão isentos de egotismo” .

Inadvertida, Diana celebra o pacto imaginando que o seu corpo (taonga) estaria nesse acordo destituído da sua alma (hau). Mas já no direito maori citado por Mauss, o taonga está animado pelo hau da floresta, do seu território, do seu solo, ele é verdadeiramente “nativo”: o hau persegue qualquer detentor. A alma é parte do corpo de Diana e separa-la seria uma segunda fantasia que a seduz e que talvez seja a verdadeira razão de ter aceitado o contrato.

Uma equação cujo resultado é zero parece ser estabelecida entre eles. No entanto, o que podemos entender desse ensaio, com ajuda de Mauss e de outros autores, é que os participantes da “Proposta Indecente” vivem essa troca sem relação com qualquer construção analítica, assim como os participantes do Kula ou do Potlatch.
Eles vivenciam esse fenômeno, não como fluxos especulativos em torno de uma razão simbólica para os seus atos, e sim, com a fé, no acreditar em sua prática cotidiana de moral, direitos e obrigações, tão naturalmente quanto a própria língua que falam.

O pacto é realizado e vivido pelos protagonistas como se relações não fossem mediadas pelo simbólico. Shalins , ao traçar um paralelo entre a ordem da sociedade burguesa e a ordem das sociedades primitivas, conclui: “ devido ao fato do produtor se apresentar em busca de lucro, o consumidor em busca de bens “úteis”, o caráter simbólico básico do processo passa inadvertido para seus participantes”.
Mauss confirma a nossa a hipótese no trecho seguinte:

“Os historiadores sentem e objectam com todo o direito que os sociólogos constróem demasiadas abstrações e separam demasiado uns dos outros os diversos elementos das sociedades. É preciso fazer como eles: observar o que é dado. Ora, o dado é Roma, é Atenas, é o francês médio, é o melanésio desta ou daquela ilha, e não a oração ou o privilégio em si ” .

O pensar sobre as questões simbólicas dentro do contexto do “Kula”, do Potlatch ou da “Proposta Indecente”, como pode sugerir qualquer construção analítica do fenômeno, parece tão estranho para um nativo ou para um dos protagonistas do filme quanto a um de nós comprar uma palavra do nosso vocabulário.